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domingo, 18 de abril de 2021

À espera dos bárbaros

Enquanto os bárbaros não chegam, procuro o próximo brinquedo. Está demasiado calor para qualquer fantasia mais agitada do que o sono leve das manhãs de domingo. 

Aguardo o fuso horário do destino, com a mesma placidez de quem se senta à janela e espera a passagem de um cometa que se atrasou no caos sideral.

Olho a rua, as flores, os telhados defronte. Daquilo que partiu não consigo distinguir mais do que uma cadeia finita de longínquas imagens, recortes de uma revista velha que guardei na gaveta da cómoda por debaixo das meias.

No fundo da rua, pareceu-me ver  Jesus caminhando na minha direção. Seria uma alucinação? Que assim seja.

Enquanto os bárbaros não chegam, terei tempo para me barbear e procurar de novo os ninhos dos abelharucos. Quero entregar-me aos invasores com dignidade e com aquela esperança  instintiva que nos leva a fazer uma sopa apenas para a semana inteira.

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