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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Dois docs, duas mulheres, duas formas de rebeldia

Acabei de ver dois docs comoventes. Um baseado na biografia da pintora Paula Rego. O outro, na cantora norte-americana Janis Joplin. Ambas marcadas pela sua condição de mulheres muito especiais. Têm histórias de vida absolutamente pungentes.  A americana brilha e explode, com a velocidade previsível de uma estrela pop nos States dos anos 60. A portuguesa tem uma atitude introvertida e transforma as suas ansiedades, forças e subjetividades num longo percurso pictórico. Não vive tão intensamente como Janis Joplin e frequenta meios mais serenos. Por isso resiste, insiste e vence. Aliás, ambas artistas vencem o tempo, porque ficaram na história do século XX.

O documentário "Paula Rego, Histórias e Segredos" é uma oração ao ser humana. Chamo-lhe oração murmurada, porque a linguagem da pintora é uma espécie de murmuração do seu subconsciente - uma confissão criptada. "Janis: Little Girl Blue" é um grito, daqueles gritos nascidos no pós-guerra, mas não só. Um grito  para onde convergem muitos silêncios contidos, o silêncio dos negros (Jazz, Blues) ou o silêncio dos humilhados, renegados e falhados. E talvez seja este o drama interior de Janis na década do amor (anos 60): Querer amar todos e ser amada por todos. Uma missão que se revelaria impossível para uma  rapariga gorda e com acne de Port Arthur (Texas) para quem o palco se tornou a melhor forma de ser finalmente amada. Morre de overdose em 1970, como se Janis pudesse desaparecer.




  

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Amadeo de Souza-Cardoso


"Eu não sigo escola alguma. As escolas morreram. Nós, os novos, só procuramos a originalidade"
Amadeo de Souza-Cardoso

"Retrato de médico" - 1916



quarta-feira, 2 de julho de 2014

O jardim dos mortos felizes

Pintura: "Jardim dos mortos felizes"  de Friedrich Hundertwasser


Esta pintura do artista e arquiteto austríaco Friedrich Hundertwasser propõe um cemitério onde sobre cada campa fosse plantada uma árvore e desta forma reciclar os corpos mortos numa segunda vida de orientação mais perene e ecológica.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Brincar com os clássicos



O meu amigo e colega (informático) Ricardo Simões continua a brincar aos clássicos. Primeiro foi o Wagner e agora o Dali. Obviamente ele não é Dali. É de Setúbal. Mas tem também a sua dose de criatividade e humor. 

Este sublime (como hei-de chamar-lhe) trocadilho com o pintor, o seu bigode e a gravidade faz me lembrar um verso do José Gomes Ferreira (o poeta, não o jornalista da SIC):"Os pássaros quando morrem caem no céu." Por que mudando um elemento ( posição da foto ou "do" pelo "no"), tudo continua a fazer sentido - um sentido mais reforçado.

 Acho que a foto do Ricardo Simões é uma espécie de contra-ataque, no confronto com o Salvador Dali, que deu golo.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A casa das histórias e a casa do mar

A natureza estava tão agreste que me apeteceu ver o mar - o mar verdadeiro, salgado, indomável e em fúria.  Pensei em Cascais. E lá fui. Decidi visitar a Casa das  Histórias da Fundação Paula Rego e o Museu do Mar  Rei D.Carlos

Pormenor do Museu do Mar  ( Sala dedicada à Pesca )


Tenho a dizer que foram excelentes escolhas. A Casa das Histórias pela  incontornável qualidade da artista e o Museu do Mar pela diversidade do acervo e a ligação da vila de Cascais e suas gentes ao mar . O mar que surge de duas formas no história de Cascais. A primeira, através da economia natural da população local que desde sempre encontrou no mar, através da pesca, a sua subsistência e o seu desenvolvimento social. Depois através dos Braganças, quando D. Luis decidiu transformar a casa do governador em paço real, onde a família real ia a banhos. A ligação de D.Luis I e do seu filho D.Carlos I ao mar era grande, profunda e extensa nos interesses. Assim, Cascais ficaria ainda ligada  à exploração arqueológica do mar, à biologia marinha, à náutica de recreio e à Marinha de Guerra (D.Carlos era oficial da Marinha de Guerra). O Museu do Mar explora todos estes os vectores de uma forma singela, mas muito agradável.

A Casa das Histórias da Fundação Paula Rego



Quanto à exposição da Paula Rego, cumpre-me dizer que a considero uma artista plástica de dimensão universal. O seu mundo onírico e a forma como  cruza esse mundo  todos os outros estados mentais humanos (medo, submissão, desejo,...) são fantásticos. A sua capacidade narrativa é notável. Diria que as  histórias abordadas começam muitos antes dos quadro e permitem ao observador terminá-las muito depois.

 É pena não existirem mais obras suas na Casa das  Histórias, onde repousam algumas paredes pouco preenchidas. Quando o espectáculo é bom, temos sempre pena quando chega ao fim.

Pillowman - um tríptico genial da pintora portuguesa

domingo, 16 de dezembro de 2012

As idades do mar




A exposição pictórica  "Idades do Mar" na Fundação Gulbenkian entrega o visitante a um conjunto de perspectivas possíveis na grandiosidade do mar: o mito, o poder, o trabalho, a tempestade, o efémero e o infinito. Foram reunidas dezenas de obras cuja origem atravessam séculos e as melhores coleções. Podem-se apreciar quadros desde  Mestre da Lourinhã, da escola denominada "os primitivos portugueses", até ao impressionismo de Monet ou ao pós-modernismo de Vieira da Silva.

Numa época em que a sociedade (numa atitude distante, como é habitual nas nossas elites  e demasiado retórica) insistem na importância do mar, esta exposição é mais uma manifestação dessa tendência de início de milénio que se acentua com a urgência de encontrarmos novos paradigmas económicos.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O sagrado dia do cadáver esquisto



Todos anos, eu e um amigo setubalense, juntamos-nos um dia de dezembro para pintar um "cadáver esquisito" (pintura coletiva de inspiração sub-realista, i.e., directamente do subconsciente para a tela de forma automática, sem passar pela censura do consciente.) Este foi o resultado deste ano. Uma criação à volta de uma escultura barroca do famoso escultor italiano da época barroca, Gian Lorenzo Bernini.



Imagem do "ateliêr"



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

À volta do Tejo

10.00 horas

Costa da Caparica

Está frio. Mesmo assim o mar parece trazer alguma bonomia e têmpero a esta manhã de inverno. Algumas dezenas de surfista acordaram cedo para apanhar estas suaves ondas que morrem hoje pela praia-mar. Alguns pescadores desportivos ensaiam lançamentos defronte ao restaurante do Barbas. Vou caminhar e procurar comprar um jornal diário decente.




11.00 horas

S.João da Caparica

Leio no Público, dois versos de um poeta místico, William Blake:

"Tigre, tigre, ardendo aceso
  Pelas florestas da noite"

E continuo:

"Gato, gato, velando à meia-luz
  Em contra-mão com o tempo"

"Sapo, sapo, abocanhando em cheio
 A extrema-unção do mundo"


12.30 horas

Trafaria

Chego à vila piscatória da Trafaria para almoçar. Pensei comer uma caldeirada. Mas é um prato demasiado caro para uma pessoa apenas. Decidi-me pela "Raia frita com açorda".



Ao entrar no restaurante "O Fragateiro" deparo-me com uma parede com muitos posters de equipas de futebol de "Os Belenenses". Pergunto ao proprietário se é sócio. Diz-me que sim. E que é também o pai do Luis Ferreira, antigo guarda-redes do Belenenses e atual treinador de guarda-redes. Ficámos obviamente à conversa.



14.00 horas

Palácio Nacional da Ajuda

Aqui sente-se o poder. No local mais alto da cidade, um magnifico palácio se ergue numa das colinas da cidade. Por detrás, um comando da GNR. Lá dentro alguns Audis e BMWs pretos revelam a austeridade forte do estado. Antes e depois de 1910, talvez pouco tenha mudado no que diz respeito às máscaras do poder.




15.00 horas

Exposição de Botero “VIACRUCIS - A Paixão de Cristo”

Na sala " Rei D.Luis I" do Palácio está exposta um conjunto de pinturas e desenhos denominados "Via Crucis", do pintor colombiano Fernando Botero, até ao dia 23 de Janeiro.

Na exposição de Boreto, encontro no quadro "A crucificação" a ideia mais nóvel da exposição: Jesus jaz na cruz. A sua pele tem uma tonalidade verde que integra-o, qual camuflagem, na paisagem verdejante de um jardim urbano. Por detrás da sua agonia, a população passeia impertubável.



Em alguns quadros a dimensão de Jesus é imensa em comparação com aqueles que o maltratam ou traiem. Contudo, na " A Piedade", Ele surge em dimensões muito reduzidas, em comparação com a sua mãe, que o toma em braços.



16.00 horas

 Beira-rio - Junto à estação fluvial de Belém

Ver o rio é um ato infatigável de fé. É esperar no porto que o estrangeiro chegue da barra ou que a montante venha, rio abaixo, o mais intimo português.

Escrevo por fim com o sol a pôr-se:

"A oeste adensa-se o futuro da noite
como se o sol também desaguasse
levado pela teimosia do Tejo"




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A Perspectiva das Coisas - A Natureza-Morta na Europa


Paul Cézanne - Natureza -morta com Pote de Gengibre e Beringelas - 1893-94

Dizia Napoleão Bonaparte:" Posso perder mil homens, uma oportunidade nunca". Por esta razão, não perca a oportunidade de admirar um conjunto de obras de arte, vindas de todo mundo, e reunidas sobre a égide da forma de expressão pictórica "Natureza Morta".

A história da pintura do final do século XIX e XX olhada através de "coisas".
Exactamente!
Coisas desligadas do seu ambiente natural e por isso mesmo "mortas". É um exercício de estilo, que obviamente os pintores da modernidade não renegaram - eles mesmos, dados como ninguém à experimentação.

 A exposição divide-se em 12 Núcleos, como por exemplo, "Estrutura e Espaço", "A essência das coisas: materialidade e imaterialidade ou "A crise do objecto: sonhos e pesadelos", onde estão representados pintores de referência , como Manet, Monet, Renoir, Van Gogh, Gauguin, Cézanne, Braque,Picasso, Gris, Dali, Magritte ou Matisse. Pode ainda ver obras dos portugueses Amadeo Souza-Cardoso, Eduardo Viana Mário Eloy e Vieira da Silva.


A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa

Terça a Domingo
Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian
Até 8 de Janeiro

Curadoria: Peter Cherry
Preço: 5€

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Maternidade


A maternidade é uma "cena de género " em que é representada uma mãe que segura e acaricia um recém-nascido que responde com carinho.

Esta pintura é um óleo de100x100, pintado em 1935, em Lisboa depois da estadia de Almada Negreiros em Madrid. A primeira exposição deste quadro foi no VI salão de arte moderna realizado em 1941. Hoje encontra-se em exposição no Centro de Arte Moderna na Gulbenkian. Esta pintura foi elaborada em pleno regime do Estado Novo.
Podemos dizer que o modernismo era a arte oficial do estado Português e estes artistas tinham apoios para evoluírem e "escoarem as suas obras ". Esta obra não é excepção. Desde 1935, José Almada Negreiros era apoiado pelo secretariado da propaganda nacional.
Este quadro é uma representação bastante simples e natural, usando apenas três cores ( as cores primarias ). A mãe é representada com uma certa robustez , isso é demonstrado com os contornos da roupa, a posição das mãos e dos pés sugerem uma viragem de Almada Negreiros para o neo-realismo. Esta obra evoca a relação mãe-filho , onde estes se acariciam mutuamente. Esta temática permite efectuar um paralelo com o regime do Estado Novo . O "ideário" fascista defende a mulher em casa, a mulher que tem o papel de ser mãe como preponderante. Digamos que esta obra sensibiliza esse gosto e desejo pela maternidade . Almada Negreiros com esta representação visa criar um clima intimista, simples e natural, fazendo uma espécie de metáfora do que é a relação Mãe-filho.
Esta obra enquadra-se na corrente artística do modernismo, apesar de alguns elementos desta obra, como a posição ofertante das mãos e a posição dos pés, iniciarem um processo de viragem para o neo-realismo.

Autor: Pedro M. de Castro

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Primitivos Portugueses - Pintura no Museu de Arte Antiga

“Primitivos Portugueses” – Exposição a decorrer no Museu Nacional de Arte Antiga até dia 25 de Fevereiro de 2011, merece uma visita – se possível acompanhada por guia (Todos os dias às 15.30). Comemora-se os 60 anos da exposição homónima decorrida durante a exposição Universal de Lisboa de 1940 e cem anos que o Painel de S.Vicente deixou espaço do Convento de S.Vicente de Fora para apresentação pública. Podem ver-se obras de Nuno Gonçalves, Grão Vasco, Francisco Henriques, Frei Carlos, Gregório Lopes, Garcia Fernandes e Cristovão Figueiredo.
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