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terça-feira, 21 de maio de 2019

Notre-Dame de Paris

Sobre o recente incêndio da catedral parisiense,  constatou-se a comiseração de muitos ateus e agnósticos nos diversos meios de comunicação. Entendo o subconsciente que os liga ao simbolismo daquele templo, mas não deixo de notar alguma incoerência com a sua  linha de pensamento. Enquanto,  simbolo matricial da cultura europeia, a Notre-Dame era para a maioria dos pensadores, um local de turismo histórico e pouco mais do que isso.Agora que eventualmente a conseguiram imaginar como eliminada,  a angústia levou alguns deles a partilhar a sua consternação. Contudo, para uma certa ideologia paganizada e moderna o incêndio de Notre-Dame começou no iluminismo e mesmo antes do recente acidente apenas restavam algumas cinzas. Nietzsche teve  a coragem de anunciar a nossa traição e procedente mal-estar.  O racionalismo terá sempre limites, assim como a apropriação empírica da realidade. Para além e aquém, fica o mistério. Para os que eregiram Notre-Dame,  o mistério da Virgem, mãe de Deus. 


"Nietzche, um grande solitário, situa-se no ponto de partida da corrente ateísta. Este filósofo quis pôr termo à era evangélica anunciando a morte de Deus aos homens que não ousavam assumir essa morte, depois de a ter executado.

  Tal como Kierkegaard, Nietzche devia esperar, para ser ouvido, que o desespero se inscrevesse nos corações desolados com a morte de Deus e desiludidos com os mitos de substituição.

  Dir-se-ia que surgiu um novo estoicismo em que o homem é exaltado no seu confronto com uma solidão fundamental". (Mário Ferro & Manuel Tavares em "Conhecer os filósofos de Kant a Comte", Editorial Presença (1991). Lisboa.)



Mas alegrais-vos, irmãos, porque Nossa Senhora, mãe eterna e humilde, está connosco agora e na hora da nossa morte, amén.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

O instante absoluto

A atenção que devemos ao mundo tem uma dimensão impagável.  A melhor solução seria cada um nós escrever, durante toda a vida, apenas um poema sobre uma ínfima parte  da realidade observada. Assim mesmo, tornar-nos-iamos todos absolutos mestres de um segundo apenas. Entenderiamos finalmente a sábia eternidade do instante.

domingo, 19 de agosto de 2018

Não se pode voltar a nenhures

Não há regresso à infância, porque ela nunca lá esteve enquanto jardim de inocência e prazer. O que existe é a sua sombra e só um poema pode espreitá-la, se vestido de penumbra e displicência. 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Do amor



Do amor, existem dois tipos: o egoísta e o generoso. O primeiro controla, exige, é reflexivo, ou seja, ama e espera ser amado. Este amor egocêntrico cresce quando o amado se assemelha, prolonga ou complementa o amador. O segundo, o generoso,  liberta, arrisca, ama independentemente de ser amado e sobretudo aceita e compreende que amar assim implica um sofrimento proporcional.






sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Compreensão e silêncio

Ontem durante um programa biográfico sobre Angela Merckel na RTP3, citava-se a frase de Maquiavel relativamente ao chefe político: "Muitos o vêem, mas poucos o entendem". Não me parece que sejamos todos o "Príncipe" - obra de onde  foi extraída a frase. Parece-me sim que todos nós devemos em parte  sentir essa incompreensão dos outros.


Acredito que a maior esperança dos incompreendidos seria a existência de alguém que os conhecesse e compreendesse profundamente. Tenho fé na existência dessa entidade. Se esse alguém poderoso e caritativo nos compreendesse, poderiamos então abandonarmo-nos à nossa íntima vontade. 


A boa nova é que, por via dessa entidade que chamamos Deus, essa compreensão misteriosa (omnisciência apenas parcial e profundamente subjetiva) acaba por acontecer pontualmente entre nós - criaturas instáveis sobre o conhecimento do outro. 


E como podemos provar esta compreensão? O maior argumento, creio, está na força do seu silêncio. Sim, quando nos calamos tranquilamente diante do outro para o ouvir, inicia-se este milagre da compreensão.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A existência

Ao invés do que escreveu René Descartes, quando mais pensamos, menos existimos. Porque a razão é um elemento absorvente da diferença, da nossa individualidade. E como poderíamos existir se apenas nos deixássemos orientar pela razão ? E até onde é possível ser razoável sem amachucar de forma irreparável a nossa forma exclusiva de percepcionar a vida ?  

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Entre o céu e a terra

Pintura tonalista de Edward Bannister


As religiões são gramáticas com deficiências naturais e humanas. Elas permitem aos humanos nomear ou interpretar o transcendente. É natural que as religiões à semelhança das línguas dos povos tenham uma matriz geográfica, étnica e política. Entre o transcendente e o imanente o que pode um mortal senão seguir o caminho estreito entre ambos. Eles próprios que alternadamente se atraem e repelem.

"Terra
sem uma gota
de céu.

(...)


Céu
sem gota
de terra."

in "Turismo" de Carlos de Oliveira

Há ateus de uma religiosidade tão exigente que nenhuma gramática lhes parece suficiente para a fruíção ou interpretação do transcendente. Ninguém escapa a este anseio de infinito, de partilha caritativa,  de misericórdia e justiça, de uma verdade tão universal e genérica que possa servir de referência a todos nós - ou mais poeticamente - um ponto de fuga comum para onde todos as caminhadas converjam. 

quarta-feira, 19 de abril de 2017

O Homem Só

Quando olhamos para um fenómeno pela perspectiva sociológica, usando as ferramentas analíticas para estudar o caso, obtemos política, legislação e eventualmente transformação. Quando olhamos para um fenómeno e vinculamos a nossa atenção num indivíduo apenas, temos  literatura, emoções e drama. É de facto esta última perspectiva que mais me interessa: a ovelha perdida, a moeda reencontrada ou o regresso (ou não) do filho pródigo.

Se contarmos a história do indivíduo, em detrimento, da do grupo ou da classe a que ele pertence, talvez ele se sinta protegido, porque agora está visível e tentou-se compreendê-lo. Talvez narrar o seu drama seja o pequeno contributo para que o "Homem Só" perca aquilo que o filósofo José Gil chama de "medo de existir" no seu livro "Portugal, Hoje - O Medo de Existir"


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Sociedade do Cansaço"

Cada vez mais encontro mais pessoas cansadas ou esgotadas no meu dia a dia. Muitas delas, são mulheres que trabalham em média mais do que homens. Se queres perceber o que nos está acontecer a (quase) a todos, recomendo a leitura da "Sociedade do Cansaço" (2014) do filósofo Byung-Chul Han. Quem quiser aprofundar ainda mais este tema pode ler ainda a sua obra mais esclarecedora "Psicopolítica".





    Autor: Byung-Chul Han
    Edição: Relógio d'Água
    64 páginas
    Custo: 12 euros

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A propósito do medo e da cobiça de Thomas Hobbes

Todo o Homem nasce frágil. Tem por isso medo de tudo e tudo cobiça, porque tem  necessidade extrema de se defender. Esta tensão gera um conflito de todos contra todos. Poderão as grandes massas populares, a sociedade cívil e as suas instituições proteger um ser humano de outro ser humano ? Penso que sim. Existem, neste momento (a meu ver trata-se de uma antitese histórica da forma como Hegel conceptualiza na sua dialética ), para isso dois pilares : estado e religião. Só estes dois conceitos conseguem reunir uma perspetiva holística e segura. Desta primeira premissa chega-se à necessidade de um contrato social, mas também espiritual. O materialismo marxista afirma que só depois de teres a pedra (matéria) na mão é que decides o que fazer dela (decisão moral ou ética). Já temos a pedra na mão e agora? Vamos atirá-la à cabeça do nosso irmão ou construir uma casa para vivermos literalmente juntos ?


sábado, 5 de novembro de 2016

A culpa do ócio



Depois de um imposto lançado pelo Papa Júlio II, em 1510, para a construção da Basílica d,e São Pedro, alguns príncipes alemães revoltam-se. Encontram em Martinho Lutero, um argumento ideológico e iniciam um movimento de separação da Igreja Papal.

Mais a Norte, Suiça, Holanda e em parte da Inglaterra, outro movimento ganha corpo. Liderado, a partir de Genebra, por João Calvino, este movimento religioso defende a ideia da predestinação, onde a salvação está destinada à nascença e toda a riqueza é vista como um sinal da predestinação divina. Está lançada a ideologia, que permitirá a coexistência da riqueza e da salvação  divina. Ao contrário disto, os católicos advogam que a salvação atinge-se através dos atos praticados em vida. Mas as lutas políticas escoradas pela religião, continuam na Europa. Entre vários palcos, a Inglaterra  é onde esta luta ganha mais relevância e interesse histórico. A rainha Isabel I, envolvida numa guerra contra os católicos espanhóis, sai vitoriosa. Manda decapitar, Maria Stuart, princesa escocesa católica e pretendente ao trono inglês. Depois de o falecimento de Isabel I, sucede-lhe o filho de Maria Stuart, entretanto convertido ao Anglicanismo, Jaime I. Mais tarde, a coroa chega a Carlos I, filho de Jaime I, e que defende a aproximação do culto anglicano ao católico.

Os calvinistas, agora apelidados de puritanos, são perseguidos e partem em grande quantidade, 250.000 pessoas, para o novo mundo. A génese filosófica dos Estados Unidos está criada.

 A condenação do ócio e a sacralização do trabalho, a par de a perspetiva de que a riqueza e a pobreza são, respetivamente,  uma graça ou uma condenação de Deus, ainda hoje marcam a sociedade ocidental.  A par de outros sentimentos de culpa que fomos adquirindo ao longo dos tempos, oriundos de uma consciência religiosa alimentada desde tempos remotos, o sentimento de culpa relativa ao ócio é uma das últimas aquisições da consciência ocidental cristã.

Schwanitz, Dietrich - "Cultura da Idade Moderna à Idade Contemporânea" - Coleção Expresso

Wikipédia Inglesa - Artigo sobre "Carlos I de Inglaterra", "Puritanos" e "Peregrinos".

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"O Passado Já Não Se Encontra Atribuído" de Vanda Palma

Cheguei a Castro Verde e logo soube do trabalho da ceramista Vanda Palma. Pensei tratar-se de mais uma ceramista de inspiração tradicional ou folclórica de índole conservadora- dado o espaço cultural onde ela se integra. Na verdade, somos preconceituosos por natureza. É a nossa forma de sobreviver, julgar e tomar decisões em tempo útil. Não devemos envergonharmo-nos de sermos assim. É humano.

Todo este intróito, para tentar explicar uma das facetas da arte: A surpresa. Sempre que alguém surpreende, renovando ou acrescentando à estética uma nova perspetiva, a arte agradece. Agradecemos todos, porque, "a tradição só sobrevive porque muda"(1). 

A ceramista Vanda Palma surpreendeu-me com estilo e arrojo. O titulo da sua exposição ""O Passado Já Não Se Encontra Atribuído""  a decorrer na CM Serpa até dia 8 de outubro de 2016 é uma espécie de síntese, em jeito de pregão, desta renovação. Jorge Luis Borges, ficionista e poeta argentino, escreveu "Nós somos os mortos", ainda, acrescento eu, que agora eles estejam com uma nova roupagem e novos objetivos de vida. 

O trabalho de Vanda Palma é essa ruptura para a continuidade. O seu trabalho é essa destruição que salva o "mundo", sendo neste caso o mundo da tradição ceramista do sul de Portugal. Lembrei-me da Rosa Ramalho (ceramista minhota), mas agora dando à cerâmica de cariz popular uma nova consciência nacional.


Ligação: Exposição em Serpa




(1)  "Um mapa para pensar a tradição",  Alfredo Teixeira, Lisboa, Universidade Católica Editora, 2015, pp. 44-47 
Publicado em 18.09.2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Teatro-Filosofia-Homem/Mulher

Escreveu Jean Paul Sartre em 1974 e resolvi-o plantar  no blogue, porque  se trata-para mim de uma declaração de princípios, um ideia fundamental que não me quero esquecer nunca:

"Hoje em dia, penso que a filosofia é dramática pela própria natureza. Foi-se a época de contemplação da imobilidade das substâncias que são o que são, ou da revelação das leis subjacentes a uma sucessão de fenómenos. A filosofia preocupa-se com o homem – que é ao mesmo tempo um agente e um ator, que cria e representa seu drama enquanto vive as contradições de sua situação, até que se fragmente sua individualidade, ou seus conflitos se resolvam. Uma peça de teatro (seja ela épica, como as de Brecht, ou dramática) é, atualmente, o veículo mais apropriado para mostrar o homem em ação – isto é, o homem ponto final. É com esse homem que a filosofia deve, de sua perspectiva própria, preocupar-se. Eis por que o teatro é filosófico e a filosofia, dramática."


sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Da impossibilidade dos espelhos

“Eu nada tenho a dizer de mim, sólida, simples e inteiramente, sem confusão e sem mistura, nem uma palavra…Não há descrição que iguale, em dificuldade, à descrição de si mesmo”.


Montaigne (séc.XVI), Ensaios


terça-feira, 23 de agosto de 2016

O destino

Estava dentro de água quando premeditou que se  homens e mulheres se desligassem de tudo o que os prende - compromissos, rotinas e tarefas - e partissem na senda daquele local para onde  a sua vontade mais intima  os impele,  chegariam algures. Não chegariam sós. Nesse hipotético local, outros tantos se reuniriam, por ter escutado o mesmo chamamento interior. Entre eles, os novos vizinhos, chamar-se-iam de irmãos e irmãs. O caminho para lá seria longo e no início solitário. Gradualmente, convergiria para a caminhada, mais e mais gente. Ninguém se tocaria ou falaria, sob pena de esmagar aquela voz que dentro de cada um deles os guiava. No limite, fechariam os olhos, deixando-se guiar por crianças.  À caminhada chamariam deserto e ao local de encontro, destino.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

A riqueza (e angústia) das nações



Confesso que em tempos idos namorei com os mercados. Agora que eles me "torcem o nariz", declaro-vos a minha antipatia por eles. Não pensem que vou "andar à galheta" com algum dos seus arautos, correlegionários, doutrinados ou doutrinadores. Nada disso. Procuro antes um argumento categórico, uma corrente filosófica capaz de arregimentar um exército ou pelo menos justificar-me os atos diante dos meus ascendentes, descendentes e irmãos.

Temos o mercado de capitais, o bolsista, o cambial, o de trabalho, dos jogadores e o que mais engraço, o mercado local com alfaces murchas e nêsperas pequenas, mas verdadeiras.

Os mercados põem e dispõem, assustam-se e irritam-se. São poderosos como os deuses do Olimpo e, por isso, devemos temê-los e jamais ofendê-los ou desafiá-los. Lembrai-vos das tragédias! Talvez por tradição, os gregos metem-se amiúde com eles.

E porque não há eremitério que se coadune com a minha consciência, nem com o meu comodismo, vou andar por ai como uma erva daninha, misturando-me na multidão, tentando escapar à sachadelas de um qualquer mercado que se lembre de se entreter a limpar a sua horta.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Relativismo

Que os meios nunca justifiquem os fins, porque há valores absolutos ou de urbanidade que não devem ser violados. A vida é uma caminhada, um mistério e nunca um objetivo.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Utopia e desejo

Dedicado ao meu amigo Luís do blogue http://tintanobolso.blogspot.pt/


O desejo é a coisa e a utopia, a causa. Porque  apenas esse desejo insaciado pode gerar esse lugar que não existe. Se houvesse a tal coisa desejada, desaparecia também a vontade de a obtermos. É  no desejo que nasce a utopia. Defini-la de antemão é estratégico. E depois será como  alguém que  olha sedento  para a água de uma fonte fresca e primaveril e caminha  eternamente sem a alcançar. Durante o caminho caiem uns chuviscos que logo são lambidos de forma insaciável. Não são o paraíso, mas uma lúgubre imitação. Os chuviscos são uma metáfora da existência, mas são eles que nos  permitem caminhar, caminhar sempre.
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