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sábado, 5 de setembro de 2015

El-Jadida #1

Aqui início um conjunto de poemas escritos, no mês de Julho,  em El-Jadida (antiga Mazagão) no reino de Marrocos.

#1

Porta a porta
sente-se o destino,
(o makbut como aprendi depois )

Por entre o ar fétido das ruas,
há um exército de vontades
tão diferentes das nossas

Os burros e as vacas comem lixo
e um  rocinante procura esquelético
o seu Quixote numa rua de papel

Os barcos vão e vêm

Há peixe ftito
a vender pelas ruas
como um trigo que nasceu no mar

As suas escamas e guelras
esventram a maresia
com odores de morte
e especiarias

O divino é geométrico
para que deus se torne tão lógico
como um bule de  chá de hortelã e menta

Alá é afinal um teorema
que prova que os dias sem chuva
são a tensão vibratória dos músculos
de um garanhão árabe

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O que faz sorrir o Hassan ?

Hassan é um marroquino com vinte e poucos anos, com estudos secundárias e uma conversa interessante e inteligente. Hassan trabalha como caseiro de uma propriedade perto de El-Jadida e a 80 Km de Casablanca. Apesar da solidão do seu trabalho, da provável falta de boas condições remuneratórias, de viver num regime absolutista em termos políticos e de o futuro não lhe reservar provavelmente nenhuma melhoria destas condições, o Hassan tem um sorriso verdadeiro, constante e luminoso. Mais do que um sorriso, ele parece feliz - quase diria com toda certeza que o é, na medida possível.

É este o grande mistério que me ocupa o espírito: O que faz sorrir o Hassan ?


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

El Jadida #1

Era habitual em El Jadida (Marrocos) encontrar no final do dia, homens sós a ler e a refletir virados para o mar e não para Meca, onde se viram no momento das orações.

Escrevi sobre este fato, estes curtos versos:

duas estrelas
e quatro luas viajantes
iluminam a praia
onde o homem azul*
olhando o mar
recorda um deserto 
escondido no futuro




*Aos berberes, tribo indígena marroquina, chamam "Homens azuis"











terça-feira, 4 de agosto de 2015

O sorriso do Hassan




Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que me atira sorridentes beijos  
a caminho da aldeia,
o que apenas sobrevivendo
partilha comigo o último pão,
o que preso no seu circo de feras
gasta um gesto verdadeiramente livre
para me cozinhar um cuz cuz.


Je ne suis pas un autre,
eu sou o outro,
o que caminha a meu lado
serenamente,
o que me estende o seu único braço,
o que por mim ora e me faz orar,
o que me faz ter saudades
do inferno, da pestilência invita
que carreguei rente à pele,
e da pureza que descobri dentro dela.


Je ne suis pas un autre,
eu sou o sorriso do Hassan.






















Pedro e Hassan (caseiro de uma propriedade rural) na província de Doukala.

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