Ontem televisionei, por conselho de um amigo e para lhe fazer
companhia, os “Desgostos de Ramsay”.
Para além de ser uma série de entretimento
que mistura gestão de restaurantes, culinária e uma pitada da ficção documental
tão na moda, tinha a meu ver uma mensagem subliminar interessante: Chegava um
louraço de olhos azuis, ao que dizem britânico, a um restaurante grego, em Nova Iorque, onde
tudo corria mal. A organização, a confecção dos pratos, o higiene e as relações
humanas.
Ramsay com a sua incrível genialidade, endurece o discurso,
reorganiza, aconselha aquela genta do sul tão medíocre. Mais tarde, fala com a
filha que lhe confessa que os pais não mereciam que os negócios lhe corressem
tão mal porque trabalhavam 15 horas por dia, 7 dias por semana, há 30 anos.
Eu
penso que foi aqui que começou o busílis do restaurante, colocar gente sensata
e generosa do Sul a viver numa sociedade materialista e liberal, onde ganhar
dinheiro parece ser um desígnio mais importante que a própria vida.
Fuck you, Ramsay. (Et vive la Grèce!)