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quarta-feira, 12 de abril de 2017

Crianças e animais - duas metáforas sobre a existência

Dois livros que falam de quando as coisas eram tão más e injustas que ao adaptarem-se a elas, as personagens cresceram e libertaram-se daquela forma  como só acontece nas histórias imaginadas. O primeiro livro chama-se "Capitães da areia" e foi escrito em 1937 pelo brasileiro Jorge Amado. Aqui um grupo de crianças sem família, nem lar fazem o que podem e não devem (ou será que devem?) para viver sem estas coisas. Na verdade, ninguém sabe viver sem elas, e por isso, aqueles rapazes reinventam um lar, uma mãe, um pai, um deus, uma causa comum para lutar.

O outro livro chama-se "O apelo da selva" foi escrito por Jack London, em 1903. Na consciência  de Buck, um cão arraçado de São Bernardo e Pastor escocês, London conta a aventura do cão de um juiz que vivendo num ambiente entediante e civilizado -  aparentemente justo e protegido - tem uma existência banal e digna. Mas mesmos os sítios bem frequentados têm as suas ratoeiras. Um ajudante do jardineiro do  seu dono tem o vício do jogo. Pior do que isso, vive na ilusão que descobriu um sistema que lhe permitirá enriquecer. A vida financeira do jardineiro não lhe corre bem, obviamente. E Buck é raptado e vendido pelo jardineiro a uma rede que angaria cães para puxar trenós. Descobriu-se muito ouro no Canadá, junto ao Árctico, onde começara uma corrida ao bem mais cobiçado do mundo. A neve e os trilhos gelados só podem ser percorridos por trenós puxados por cães de envergadura. A animalidade dos homens estimulada pela necessidade e ganância - uma fronteira estreita as separa - surpreende então Buck de uma forma assustadora e brutal. Os primeiro tenpos são de angústia. Buck sofre uma crise existencial derivada desta mudança. A bestialidade a que ele é sujeito, abala-o mas não destrói. Ninguém está suficientemente preparado para a selvajaria humana, nem mesmo um cão.

Buck leva então a  consciência até ao âmago da sua natureza, da sua ascendência de lobo. E quando a criação do Homem se junta à da natureza, nasce um herói, esse mito inspirador e platónico que não existe. Ainda assim Jack London cria-o de uma forma inflamada e sofrida como um parto difícil, inspirando-nos com a generosidade temerária deste Cão-Lobo / Homem-Animal,

Por debaixo da camada sociável e mansa do Homem, existe sempre esta pulsão primária que nos impele à violência como forma de resistir ao medo. A guerra é um exemplo acabado deste processo. Por isso, "O apelo da selva" é daquela literatura de sempre para sempre, um verdadeiro clássico que nos deixa este aviso: Não humilhem um manso e muito menos uma classe mesmo que esta seja tida como tal.



"O Apelo da Selva" de Jack London

 Tradução: Emília Maria Bagão e Silva
 Editor: Livraria Civilização Editora
 10,40 euros (Wook)



"Capitães da Areia" de Jorge Amado
Editora Bis
7,5 euros (Wook)














quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Sociedade do Cansaço"

Cada vez mais encontro mais pessoas cansadas ou esgotadas no meu dia a dia. Muitas delas, são mulheres que trabalham em média mais do que homens. Se queres perceber o que nos está acontecer a (quase) a todos, recomendo a leitura da "Sociedade do Cansaço" (2014) do filósofo Byung-Chul Han. Quem quiser aprofundar ainda mais este tema pode ler ainda a sua obra mais esclarecedora "Psicopolítica".





    Autor: Byung-Chul Han
    Edição: Relógio d'Água
    64 páginas
    Custo: 12 euros

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Como explicar a um jovem porque é bom ler romances ?

Ao explicar a um jovem de 13 anos porque deveria ler romances, disse-lhe:

"Caro amigo,
Ainda acerca dos livros, tenho de dizer-te mais uma coisa: O fantástico é aliciante e livros como o "Senhor dos Anéis" e o "Harry Potter" ajudam-nos a desenvolver a imaginação. Contudo, livros como "O velho que lia romances de amor" do Luís Sepúlveda ajudam-nos a compreender a realidade exterior e interior do Homem. Por isso mesmo, histórias como estas são  muito bonitas e reveladoras. Muitas vezes apenas conhecemos a curta realidade que está à nossa volta e não chegamos a compreender a realidade dos outros. Por isso, é bom ler romances. Não é preciso ler muito. Apenas o suficiente para ganharmos sensibilidade para os problemas dos outros. Então boas férias e não te esqueças de ler."


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Quartos alugados" de Alexandre Andrade


"Entra-se num livro pela literatura, normalmente é assim, mas no caso do Alexandre Andrade as coisas complicam-se bastante. Além de Proust e Beckett, somos agraciados com naturezas-mortas e retratos, Charpentier e John Coltrane, Tondela e Paris, baguetes e bolas de berlim, luvas de pelica e gatos, Godard e (sem nunca ser mencionado) o espírito arisco de Jacques Rivette. O cheiro do café com bolos quentes antecipa-se ao efeito da escrita; dir-se-ia que a vida chega em primeiro lugar, e é juvenil e doce. As histórias crescem com delicadeza, as personagens envolvem-se em peripécias afáveis e levemente misteriosas, os gatos perdem-se e encontram-se — enfim, n’ Os Quartos Alugados respira-se uma atmosfera botânica. Roubando as palavras a uma das personagens: é tudo ao mesmo tempo conceptualmente simples, fértil e profundo. "

Texto extraído do site da Editora Exclamação

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Psicopolítica de Byung-Chul Han

Numa época em que a tecnologia acelera a disseminação de novos processos, a eficácia da reflexão em tempo útil decai. 

Para atenuar este deficit reflexivo, este livro analisa e conclui sobre o novo paradigma de manutenção do poder: A psicopolítica. Depois do poder soberano medievo e do poder disciplinar da época industrial, surge o poder psicológico da era neo-liberal, onde segundo, o autor, o individuo se submete a ele mesmo e submete os outros - sem tomar consciência disso - levado por uma onda de positividade. O "gosto" do Facebook é  um instrumento exemplar deste novo poder. Também as ferramentas de controlo pan-óptico, à laia de novo Big Brother, são agora acionadas  pelo próprio individuo sobre si mesmo (redes socias). 

Concorde-se ou não com Byung-Chul Han, o mínimo que devemos fazer é refletir sobre o caminho que fizemos nesta Era da Globalização e escolher em consciência os caminhos que queremos e devemos prosseguir.



Psicopolítica (12,00€)
Edição/reimpressão:
2015
Editor:
Relógio D'Água
ISBN:
9789896415402


Coleção:



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

DN Jotas na Bulhosa Livreiros



Apresentou-se ontem, na Livraria Bulhosa do Campo Grande, o livro "DN Jovem - entre o papel e a net" da jornalista (e mestre) Helena de Sousa Freitas.

Foi um marco histórico  reunir, creio que pela primeira vez, as gerações do suplemento da versão papel e da versão digital.

Foi com grande prazer que revi o Luis Filipe Silva, o Luis Graça, o Joaquim Cardoso Dias, o Álvaro Silva, o Pedro Mexia, a Adriana e o Manuel Silva. E que conheci o Sérgio Lavos e Ruben Ferreira.

Gostei da apresentação do livro efectuada pelo Pedro Mexia e pela Helena de Sousa Freitas. Porém, não posso deixar de referir a grandeza de alma do Manuel Silva que na sua intervenção reclamou a atenção para todos os outros responsáveis e quadros do DN que o ajudaram a levantar o incontornável DN Jovem.

Mexia, no seu melhor registo, focou um dado curioso: "O Estado Novo,  por razões de indole política, acabou com o suplemento juvenil do Diário de Lisboa. A Democracia acabou com o DN Jovem por razões comerciais".

Estaria lançada a polémica se houvesse quem a quisesse debater. Mas acho que também não é uma discussão rentável.

sábado, 17 de setembro de 2011

DN Jovem “biografado” em livro


Durante mais de uma dezena de anos, as terças-feiras foram aguardadas com ansiedade por muitos jovens criadores portugueses. Escritores, fotógrafos, ilustradores e cartoonistas em início de jornada contavam as horas para verificar se os trabalhos enviados para o DN Jovem haviam sido seleccionados. Helena de Sousa Freitas, Ex-Directora Adjunta do Diário de Notícias, escreve sobre aquele que foi, seguramente, o mais memorável suplemento de colaboração juvenil na imprensa do Portugal democrático. O livro chama-se “DN Jovem - Entre o Papel e a Net – História e Memórias de uma Transição”, é publicado pela Esfera do Caos e o lançamento é dia 28 de Setembro, às 18h 30m, apresentado por Pedro Mexia, na livraria Bulhosa Books & Living Entrecampos.


Post copiado do blog da revista "Os meus livros"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O nosso dinheirinho



Recomendo este livro escrito por um jovem Engº Informático que, apesar da sua pouca experiência, nos dá algumas orientações muito objectivas sobre a forma como deveremos gerir as nossas finanças pessoais. Poupar e Investir são o mote do livro. Deixo aqui um excerto retirado do site oficial do livro:


" A vida não está fácil para os portugueses. O aumento das taxas de juro e a diminuição do poder de compra levam a que a maioria de nós viva numa permanece correria para pagar as contas, sem nos apercebermos de que estamos a desperdiçar o que de melhor a vida tem para oferecer.

Chegou a hora de fazer uma pausa e pensar. O que é o dinheiro? Que valor lhe damos? O que podemos fazer para pô-lo a trabalhar para nós? Pedro Queiroga Carrilho , formador especializado em finanças pessoais, começou a fazer essa reflexão há quase uma década. Rapidamente se apercebeu de que, mais importante do que o dinheiro que ganhamos é o dinheiro que conseguimos pôr de parte e investir. Mas como? Por onde começar?

A resposta está aqui, no primeiro guia de finanças pessoais escrito por um português e a pensar nos portugueses."**

** Retirado do site oficial do livro: O seu Primeiro Milhão

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Os meus primeiros anos" - Winston Churchill


Editado pela Guerra e Paz, a auto-biografia de Winston Churchill recomenda-se. Depois de uma escolaridade em que foi apenas sofrível, o antigo PM britânico frequenta a Academia Militar e de seguida engrossa diversas frentes de guerra do grande império victoriano, nomeadamente, Cuba (como convidado da coroa espanhola), Africa do Sul (Guerra Boer), Sudão e Paquistão. O livro relata com alguma nostalgia o fim de uma época em que a guerra era mais "romantica" - romantismo que desaparece com a carnificina da Primeira Guerra Mundial e das suas "Dantescas" máquinas de matar.



Churchill conta-nos a sua história de 1874 a 1902. Período durante o qual inicia também a sua feliz carreira política. A forma aberta e corajosa como este homem, Nobel da Literatura em 1953, fala das suas fraquezas e incertezas, é por certo uma das suas lições de coragem e honestidade intelectual. Um dos mais audazes e corajosos líderes do século XX não era perfeito e assumia-o com facilidade, em 1930, data da publicação da primeira edição deste livro - evento precedido de uma derrota política dos "tories".


Uma das suas frases célebres, mostra o seu génio desasombrado: "Um apaziguador é alguém que alimenta um crocodilo na esperança de ser o último a ser comido".


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