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terça-feira, 21 de março de 2017

Ondjaki na Amadora

Ondjaki tem 40 anos, e já é um grande escritor angolano. A sua vasta bibliografia e a lista de prémios que lhe foram atribuídos não deixam qualquer dúvida. O melhor é mesmo lê-lo. Mas se quiserem, ouvi-lo e falar com ele, na próxima quarta.feira (22 de março), pelas 18:00H na Biblioteca Central da Amadora. Ele e a Editorial Caminho vêm até à cidade da Amadora lançar o seu novo livro "O Convidador de Pirilampos". Mesmo que chegue atrasado, esperamos por si.

Uma organização Clube Literário da Amadora, Amadora - Passado, Presente e Futuro e Biblioteca Piteira Santos - Amadora


segunda-feira, 20 de março de 2017

Tenham esperança!

Aos meus amigos mais jovens que andam tristes com a eventual falta de emprego compatível com as suas expetativas, aos pais daqueles que viram os filhos emigrar, só tenho duas palavras para dizer-lhes: "Tenham esperança". Antes da crise, Portugal tinha 35 empresas entre as 100 maiores da Península Ibérica. Agora tem apenas seis. A culpa não é nossa, nem deles. São circunstâncias da história. Tenham esperança, porque é no crisol fogo que se purifica o ouro. Os povos que acreditaram nos momentos difíceis, ergueram-se das cinzas. Também nos vamos erguer. Com paciência e esperança.

quarta-feira, 15 de março de 2017

o dom

A palavra é um dom. O outro é um dom também. Logo a tua palavra é um dom e a do outro também. Usa-a com cuidado e generosidade. Escuta-a com atenção e atento aos sinais. A palavra é uma representação espiritual, uma centelha, uma faísca capaz de incendiar ou extinguir um fogo.É uma forma de conversarmos com os outros e connosco, de descobrirmos, ou pelo menos, de procurarmos. Viva a palavra. Viva o outro só porque é o outro, ou seja, porque nos complementa e expande. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

Dramatizar, segundo Bloom

Enquanto lia uma apresentação sobre a avaliação no ensino, deparei-me com o verbo "Dramatizar". A função de dramatizar encontrava-se entre  outras derivadas do verbo "Aplicar".

Aquém de "Dramatizar" estavam o "Conhecer" e o "Compreender". Para além, ficavam os verbos "Analisar", "Sintetizar" e "Avaliar".

Quem escreve para  teatro deve ter esta escala verbal em conta: Para "Dramatizar" deve aplicar o que se conhece e compreende e deixar as tarefas de analisar, sintetizar e avaliar para quem  aborda o guião, esteja esse elemento envolvido na criação do espetáculo ou apenas na sua contemplação.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Uma palavra medonha, "Sofrimento"

Dizem-me que Deus é amor. Mas só poderemos conhecê-lo, ao amor Dele, profundamente, se nos for dada a graça de sofrer.

Olho  Jesus Cristo suspenso na cruz, em terrível agonia, e compreendo objetivamente a dimensão e a natureza do seu amor por nós. Foi também através do meu sofrimento, tão comezinho e patético diante do dele, que percebi de forma mais consistente esse conceito do amor num sentido mais lato, mais universal. Esse amor que através do sofrimento - e podemos utilizar no contexto cristão a palavra "paixão" - se transforma em compaixão, em caridade e quiçá, talvez certo dia, em liberdade e alegria.

Dou-te agora um conselho: Fecha os olhos, os ouvidos e a boca. Conta a três e lança-te no buraco escuro do sofrimento. Tem esperança então, irmão/irmã, que Ele Te acolha nas Suas mãos. Ouvi dizer, e nesse momento fiquei atónito, que se creres na tua salvação através Dele, "nada te faltará!".  "Nada me faltará?", soletrei de mim para mim naquele momento.

"Nada!", tenho esperança que  Alguém assim certo dia me responda.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Bem-aventurados os gentis

Era um dia qualquer e uma hora qualquer perto do almoço. Estava triste e angustiado. Ansioso. Tinha feito toda a manhã o que não se deve fazer: pedir uma ação de graças em meu favor. Lembrei-me que estava perto da   igreja do Campo Grande, onde ali mesmo,  junto ao rebuliço do cruzamento com a avenida do Brasil, eu muitas vezes me recolhia sozinho para rezar. Acerquei-me do templo. Antes de abrir a porta, ouvi uma voz feminina fazendo uma leitura. Admirei-me. Empurrei a porta da esquerda da igreja que não cedeu. Forcei a da direita e ela abriu-se. Decorria uma missa.

Nas últimas cadeiras estava uma mão cheia de jovens adultos, na casa dos trintas, vestindo  trajes normais, daqueles que se usam em Lisboa nos dias de trabalho. Benzi-me e coloquei-me  no meio deles. As suas vozes rezando, ecoavam dentro de mim uma comoção estranha, causada em parte pela esperança  daquela frescura espontânea - algo arredada das igrejas que frequento - e por outro lado, pelo facto da sua presença poder dever-se, como a minha, a uma angústia premente qualquer.

A missa foi avançando e as vozes em redor enchiam-me o coração. Estava agora cada vez mais comovido. Cheguei mesmo a pensar em colocar os óculos de sol para esconder as lágrimas. Olhava o Senhor agonizante na cruz e pensava: "Sofreste para que nós fossemos homens e mulheres alegres. Desculpa-me esta tristeza de quem tem ainda tão pouca fé".

Na hora da saída, gentilmente um daqueles jovens adultos abriu-me a porta. Lembrei-me que lera no dia anterior, na nova tradução bíblica que  Frederico Lourenço fez a partir do grego: "Bem-aventurados os gentis, porque herdarão a terra"** Pensei para mim: "Obrigado, irmão. Que o teu gesto se espalhe pela cidade ".


** Nas anteriores traduções a partir do Latim, no "Sermão da Montanha", onde Jesus Cristo prega as bem aventuranças, lê-se habitualmente "Felizes os mansos, porque  herdarão a terra" Mateus 5:5. E curiosamente na nova tradução o adjetivo "mansos" é substituído por "gentis", indo ao encontro do significado original já que os evangelhos foram escritos em grego. 


Igreja do Campo Grande

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Aceitar, não é resignar

Cuidar dos feridos, não é apascentar a guerra. Amar os pobres, não é gostar da pobreza. Acolher os transviados, não é ser conivente com o vício. Homenagear os mortos, não é glorificar a morte. Em conclusão: Aceitar, não é resignar. Aceitar é o que nos resta quando não há nada a fazer, quando resistir significa partir, quebrar, ou menos, desgastar-nos sem porquê. Aceitemos, portanto, sem nos resignarmos.


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