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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O que caminha, quando caminhamos ?

Hoje uma pessoa muito especial para mim, escreveu entre as várias frases de um email que me dirigiu: "A vida segue o seu caminho com os nossos passos". Encontrei nela tantos e férteis significados que decidi guardá-la aqui. Como se este blogue fosse a caverna do Ali Baba e dos quarenta ladrões de frases.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Deus é a nossa mulher-a-dias de Adilia Lopes

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a vida
porque achamos
que não presta

Deus é a nossa
mulher-a-dias
que nos dá prendas
que deitamos fora
como a fé
porque achamos
que é pirosa

Adilia Lopes em " Florbela Espanca Espanca". Editora Black Sun.Coleção: Impossible Papers.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Tardolítica

Meia idade
é a luz possível
numa tarde chuvosa

É um chá sem mel
na garganta ressequida que procura
  uma cantiga  interior em demasia

A tarde cai de costas
Arranca o pano preto da última temporada
onde foram cosidas a  frio depois de finadas
algumas das estrelas
que me guiavam até ao lado rasurado da tua verdade






sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Se for possível

Não quero me faças ganhar, quero que me ensines o que fazer com a derrota
Não quero que me faças viver eternamente, quero que me ajudes a morrer com dignidade
Não quero que mantenhas saudável, quero que me ajudes a aceitar a doença e a dor
Não quero que me faças rico, quero que me conduzas à casa onde preciso de pouco para estar em paz
Não quero que me faças famoso, quero que me ajudes a dissolver nos outros como um peixe solúvel
Não quero JÁ! Quero que seja o teu tempo a decidir para quando e quanto e onde e porquê
Não quero que me respondas, quero apenas sentir-te chegar nos anjos com asas escondidas e olhos benevolentes que me envias
Não quero ver o teu rosto, não
Não estou preparado para tal momento
Logo me ardiam os olhos ou cresceria em mim uma soberba, primeiro, prateada
E depois demasiado pesada para carregar aos ombros

Se for possível, deixa-me sofrer por uma crença
Lamber o chão com orgulho
Mendigar abraços e beijos entre os mendigos
Viver nesta intermitente busca de palavras para que um dia quiçá me possas ouvir
Através daqueles com quem tive a graça de falar
É isso que espero contra toda a esperança
E esperar contra a esperança, é que é difícil, não é?
Então, perdoa-me a ambição, mas é isso que eu quero

Detalhe do "Paraiso" extraído do  tríptico O Jardim das Delícias Terrenas (c. 1503 - 1510), de Hieronymus Bosch



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O MITRA


A título irónico nasceu nas redes sociais um movimento chamado MITRA, o acrónimo significa "Movimento pela Independência Total da Região da Amadora". Houve logo algumas adesões e eu aderi com um singelo "gosto". Num tempo de discussão sobre a independência catalã ou sobre a sempre adiada regionalização do território nacional, é desanuviante que alguém se lembre que criar a titulo humorístico o MITRA. O humor como devem saber é um assunto muito sério, por várias razões. Uma delas é que serve para dizer o que não se pode dizer. Era este o expediente do bobo da corte ou dos humoristas contemporâneos.

A parte séria da questão é que somos uma cidade maltratada e humilhada pelos meios de comunicação social, porque acolhemos a diferença, porque não tivemos alguns cuidados urbanísticos a partir dos anos 50-60. Enfim, nada que não se resolva com uma boa gargalhada e este movimento promete-nos algumas. Lembrando o anónimo poeta-sapateiro Bandarra que escrevia versos contra a governação espanhola de Portugal no século XVII, também eu me lembrei que o Mitra precisava de um Bandarra da Porcalhota e decidi candidatar-me com esta quadra:

Jamais pela ideia ou alma me passou
Este novo desejo que tanto me excita
De nas redes sociais dizer que sou
Simples e orgulhosamente um Mitra


PS. Espero que chegue em breve ( para aí uns 500 anos) aos manuais escolares


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A folha da nespereira

E o gato sentado olhava a nespereira e esperava  como só os gatos sabem. No cimo da pequena nespereira, nasceu uma ponta felpuda, pueril. Todos os dias o gato cheirava insistentemente a exígua aparição. Coloquei eu também algum cuidado e atenção naquele subtil fenómeno. Regava com água mineral e coloquei um pequeno lápis velho a servir de estaca, não fosse a nespereirazinha partir-se. O que seria aquele pequeno novelo disforme que apareceu numa frágil árvore guardada num vaso plástico numa daquelas marquises suburbanas quentes e desarrumadas ?

Passados alguns dias, aquele rebento tornou-se uma folha a que chamei a grande esperança. Poderá haver esperança maior que ter fé, paciência e cuidado em algo tão pequeno e inútil?


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Inquérito

O que dizem uns aos outros os homem antes de torturarem ?

O que diz a si mesmo o homem antes de torturar alguém ?

O que diz o homem a si mesmo antes de se torturar ?


Responda a este inquérito de três perguntas apenas em: https://goo.gl/forms/P2N8bkXzCQ8J3l952
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