O ruído dos motores nas costas
(falta por aqui o som das aves, parece).
Uma sirene assoma distante,
como o estrondo das marés vivas
numa pensão junto à costa.
Chegaram as nuvens
no exato lugar onde eu as glosei
num poema há dez, onze anos
(é diante delas que meço o tempo).
Os verdes e os amarelos
misturam-se agora
à falta de luz.
Os carros, não —
imunes, imparáveis.
Chegou o melro,
pousou na cana.
Penso na liberdade
como quem hesita.
(Há quem coma a sopa
sem se interrogar.
Eu, não.)
April is the cruellest month...