Chove lá fora,
e pode ser a última vez;
mesmo assim, insistes em ver
as árvores quase gémeas
do outro lado da estrada,
as gotas correndo pelas vidraças,
a gata enrolada em si própria.
Do vento, nada.
Não há movimento aparente.
Apenas uma fogueira apagada,
restos de outono
que ficaram por apanhar
pelos serviços da câmara.
Ouves o ar a esfregar-se
nas tuas narinas,
as chaves do vizinho a rodar
no umbigo da porta.
Sons ínfimos e laterais,
sinais de gente.
Quando voltarão as andorinhas,
perguntas.
Que te importa isso,
se esta pode ser afinal
a única vez?