Os carros passam a ponte. Eu podia estar lá agora. Mas as quotidianas contingências tiraram-me de lá e puseram-me aqui, a olhar para ela.
A ponte assoma-se no ponto de fuga entre duas correntezas de prédios cinzentos.
Sentia-me cansado, deprimido, e o meu corpo gritou-me por cafeína.
O meu passo fizera-se então aditivo, lembrando-me dos viciados que passam hipnóticos pela minha rua, a caminho do fornecedor — do passador, melhor dizendo.
Agora estou sentado na esplanada, bebendo o café de que precisava.
Lá na ponte, os carros continuam a circular, mantendo entre si uma distância e uma velocidade constantes. Daqui, tudo parece normalizado e predeterminado.
Ao contrário daquele tráfego amansado, espero aqui no café a vinda anunciada de Jesus à Terra, um cardume de orcas voadoras a sobrevoar estes prédios burgueses, ou simplesmente que se façam horas de ir à minha vidinha.