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| "Sissi" - Foto de Luís Palma Gomes |
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06/05/2024
23/09/2021
12/06/2020
"Caminhar oblíquo" de Duarte Belo
Porque espero voltar a este livro, "Caminhar oblíquo" de Duarte Belo, de uma forma mais analítica e profunda, deixo aqui o primeiro trecho do livro dedicado à "ROUPA" que o autor-caminhante levou na sua travessia de Portugal. Este texto resume para mim a índole de Duarte Belo - a sua ligação ás coisas simples e essenciais, a sua ética, a sua forma de habitar. Aproveitem:
"ROUPA - Tenho algumas peças de roupa, sobretudo camisolas de manga curta que uso recorrentemente há mais de 20 anos. São peças puídas pelo tempo, com muitas marcas do quotidiano exterior. Foram muitas paisagens percorridas em serranias, vales, ou junto à orla costeira, muitas vezes num esforço considerável. As manchas ou "desenhos" impressos pelo uso são como um mapa dessas viagens, uma interpretação oblíqua dos lugares visitados, das noites passadas ao relento dos campos. É um tecido construído por uma existência, reflexo do tempo que passa, reprodução, de alguma forma, de um corpo. Roupa velha, sinal de pobreza, a procura de uma existência mínima, determinação, perseverança, continuidade, resistências múltiplas. Também a fuga a determinados códigos sociais na procura da solidão para ir ao encontro de "toda a terra", dos lugares que falam, de uma natureza austera, avassaladora, fascinante, complexa. Procurar linhas de perplexidade. Dialogar com o medo. Vestir o despojamento"
Excerto de "Caminhar oblíquo" de Duarte Belo
Edição: Museu da Paisagem, Lisboa, 2020
"ROUPA - Tenho algumas peças de roupa, sobretudo camisolas de manga curta que uso recorrentemente há mais de 20 anos. São peças puídas pelo tempo, com muitas marcas do quotidiano exterior. Foram muitas paisagens percorridas em serranias, vales, ou junto à orla costeira, muitas vezes num esforço considerável. As manchas ou "desenhos" impressos pelo uso são como um mapa dessas viagens, uma interpretação oblíqua dos lugares visitados, das noites passadas ao relento dos campos. É um tecido construído por uma existência, reflexo do tempo que passa, reprodução, de alguma forma, de um corpo. Roupa velha, sinal de pobreza, a procura de uma existência mínima, determinação, perseverança, continuidade, resistências múltiplas. Também a fuga a determinados códigos sociais na procura da solidão para ir ao encontro de "toda a terra", dos lugares que falam, de uma natureza austera, avassaladora, fascinante, complexa. Procurar linhas de perplexidade. Dialogar com o medo. Vestir o despojamento"
Excerto de "Caminhar oblíquo" de Duarte Belo
Edição: Museu da Paisagem, Lisboa, 2020
30/05/2019
Cantiga do nada
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| Estação da CP do Rossio (Linha de Sintra, 2019) |
Não sabemos do nada, nem do tudo, do antes ou do depois
Não sabemos de Deus, quem o arrumou e em que gaveta
Não sabemos quem fomos, somos ou seremos
Não sabemos dos mortos, nem dos vivos, nem de nenhum outro estado intermédio
Não sabemos dos filhos, nem dos pais, muito menos do Espírito Santo
Não sabemos construir, nem destruir, por isso vivemos entalados entre coisas
Não sabemos que coisas são, não podemos dar-lhe um nome efectivo, nem afectivo
Não podemos explodi-las para as reconstruir
E era tudo tão simples e acessível
Era tudo tão nosso e deles
E agora não sabemos nada, nada
05/09/2018
13/04/2018
Gatela - uma janela de gatos
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| Janela de granito no centro de Salvaterra do Extremo - Foto Luís Palma Gomes |
Salvaterra do Extremo, Páscoa de 2018
A passagem da páscoa (Judaico-Cristã) na Beira Baixa deixava-me sempre poemas, fotos, desenhos, contos e prosas para mais tarde recordar. Desta vez não. Por isso, vinha um pouco menos feliz. Não escrevera, não desenhara, não fotografara. Com mil raios e coriscos, estaria a ficar velho? Se calhar os 50 anos secaram-me o espanto pelo mundo ? Outrora, mesmo quando partia, para a aldeia, seco pela urbe, parecia-me renascer a curiosidade e a inspiração quando chegava àquele sortilégio de cheiros, cores, paisagens e sobretudo àquele tempo vagaroso - mais parecido com o de Deus ou pelo menos mais humano. Ter-se-ia banalizado também aquele espaço e aquele tempo ?
Hoje, deu comigo a olhar para as fotos do telemóvel, quando encontrei esta pequena maravilha que me havia esquecido. Estavam lá muitas coisas que me fazem lembrar a aldeia: o granito, os gatos de pelo queimado, a gamela da comida atada por uma guita, a janela, aquela luz antiga. Que bom poder recordar a Páscoa de 2018. Na Páscoa de Salvaterra do Extremo, onde as tradições judaico-cristãs teimam em subsistir, entende-se melhor o conceito da "ressuscitação" ou do "renascimento". Por isso, aleluia.
Histórico de posts de Saltaterra do Extremo (Clicar aqui)
15/12/2016
África Delas
Vi esta foto no Facebook e gostei muito dela. Trata-se de um conjunto de estudantes de medicina que foram estagiar até São Tomé e Príncipe. Ao fundo, o Ilhéu das Rolas.
Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.
Foto de Emanuel Cortesão de Seiça
Achei a foto descritiva, equilibrada e enigmática. Gosto de ver os portugueses fotografados em África. Ficam mais humanos e naturais. Perdem aquela película sofisticada que lhes mascara a atitude. Libertam-se daquela peça teatral, velha e demasiado encenada chamada Europa.
Foto de Emanuel Cortesão de Seiça
24/09/2015
26/05/2015
Sebastião "Ulisses" Salgado
O Sebastião Salgado representa para mim o Ulisses dos tempos
modernos. Foi combater na “Guerra de
Tróia”, levando a sua câmara fotográfica como arma. Nos combates, para mostrar ao
mundo outros mundos, foi obstinado e destemido: Sahel, Ruanda, Serra Pelada, Ártico,
Balcãs e muitos outros locais. Cansado da alma, como ele o próprio afirma, no
documentário “Sal da Terra”, regressa à sua Ítaca, ou seja à fazenda dos seus
pais. Naquele momento, completamente desarborizada e sem vida. Ele e a mulher,
Leila, decide replantar aquele lugar com três milhões de árvores de cem
espécies diferentes, todas elas pertencentes ao biótipo da “Mata Atlântica”
brasileira. É um projecto com avanços e recuos, naturais de quando falamos em
organismos vivos. Hoje aquele lugar é uma floresta esplendorosa, com árvores
que atingem o seu auge aos 400 anos de vida. Salgado procurou e descobriu uma
metáfora forte para representar a eternidade.
15/09/2014
07/08/2014
09/06/2014
"GUADIANA 86-14" - FOTOGRAFIA DUARTE BELO
"Quando se percorrem a pé, demoradamente, as margens do Guadiana, fica gravada no nosso ser, indelevelmente, a experiência primordial da integração num mundo que nos transporta a um tempo imemorial..."
Entre 1986 e 2014, Duarte Belo, fotógrafo, percorre as margens do Rio Guadiana, colecionando imagens do que era e do que é o maior rio do sul do país. Esta é uma exposição com fotografias do arquivo do autor, a preto&branco e a cores, numa organização dinâmica que sugere uma viagem pelas margens do Guadiana...
"As fotografias querem fixar uma memória, são documentos sobre um tempo passado, um rio sobre o seu leito. Ao mesmo tempo procura-se a linguagem própria da singularidade dos elementos, ou descodificar a sua essência, o olhar humano que sobre eles pousa. A construção de suportes de exposição, mesmo do desenho do conjunto planificado das imagens, quer definir uma arquitetura de comunicação. Uma escrita que, recusando, por impossível, a replicação de uma realidade concreta, quer construir uma arquitetura nova onde se pode viver a invenção de um tempo paralelo."
DB
Entre 10 de maio e 23 de novembro de 2014
No Museu da Luz - Aldeia da Luz (Mourão)
http://www.museudaluz.org.pt/![]() |
| Pulo do Lobo - Rio Guadiana - Mértola |
06/06/2014
06/03/2014
14/04/2013
Lezíria encantada
A lezíria desfez-se do rosto do inverno. O rio ficou plácido. Parece agora um homem feito que conhece e respeita as margens. Ao fundo, Almeirim e Alpiarça. Santarém é o rosto que fita a fertilidade. O Vale de Santarém, por debaixo, banha as chagas dos pés e conversa (nada de pregões) humilde com peixes. Se bem me lembro, foi exatamente aqui que eu escrevi a primeira carta de amor.
| Rio Tejo (a montante das Portas do Sol em Santarém ) |
| Vale de Santarém (Porta do Sol) |
Rio Tejo (a jusante das Portas do Sol em Santarém )
| Apontamento de primavera ( Jardim das Portas do Sol - Santarém) |
10/04/2013
Fotografias. Movimento. Método.
Ontem, dia 9 de Abril pelas 19:30, Duarte Belo foi o convidado da Tertúlia Fotográfica, organizada pelo MEF (Movimento de Expressão Fotográfica).
Durante 2 horas, apresentou partes da sua obra e do seu modus faciendi em torno da fotografia documental ligada sobretudo ao território e património português. Uma sala cheia (Cinema City Alvalade) pode contatar com as fotos, a organização e algumas expedições fotográficas que o fotógrafo Duarte Belo tem encetado pelo nosso pais.
28/11/2012
Exposição fotográfica “Timor-Leste, um povo em construção” de João Delgado
No dia 27 de novembro inaugurou em lisboa, na Biblioteca por Timor, uma exposição de fotografia de João Delgado com o tema “Timor-Leste, um povo em construção.” A exposição aborda várias áreas da sociedade timorense, concentrando-se em especial na falta de meios ao nível dos cuidados de saúde dos mais carenciados, na pureza das crianças e num clima social extremamente afetuoso que ali se vive.
Durante a sua estada em Díli, em abril do corrente ano, enquanto desenvolvia um plano curricular e vários manuais do curso profissional de Técnico da Pesca em colaboração com o Ministério da Educação daquele país, João Delgado envolveu-se num projeto de voluntariado na Clínica do bairro Pité. A clínica acolhe pessoas carenciadas com o intuito de facultar-lhes cuidados de saúde. A experiência sensibilizou de tal forma este homem de causas sociais, que fê-lo decidir por procurar apoios em Portugal e, nomeadamente na Mútua dos Pescadores, capazes de apoiar a clínica e melhorar o dia-a-dia dos seus pacientes.
Paralelamente, João Delgado, licenciado em Belas Artes, decidiu elaborar uma recolha fotográfica composto por vários ângulos da sociedade timorense, com o foco de alertar e sensibilizar o público para o potencial de Timor-Leste, mas também para aspetos que urge melhorar (cuidados de saúde).
João Delgado é membro da direção da Mútua dos Pescadores, formador do ForMar, lecionando “Marinharia”, “Tecnologia da Pesca”, “Desenho Técnico” e” Tecnologias do Mar” e pescador do porto de pesca da Nazaré. Para além destas valências, licenciou-se em Belas Artes na ESAD de Caldas da Rainha e mantém uma atividade pictórica e fotográfica relevante.
A exposição pode ser vista até 28 de dezembro na Biblioteca por Timor, localizada Rua de S.Bento, 182 – 184 (Defronte da Assembleia da Républica) em Lisboa. Tel. 21 390 57 02
bib.timor@cm-lisboa.pt
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