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sábado, 26 de janeiro de 2019

A ideia

No trilho da mata, a luz estilhaçou-se em pequenas folhas. O som intensificou-se uniforme até ao limite de se tornar um silêncio novo. E até o frio congelou os cheiros, os odores da madeira. 
Apenas a palavra resistiu portável de lugar para lugar, consentida de século em século. A palavra pensada trazia na sua transparência inodora e insonora a semente da ideia. E com ela podemos  evocar de novo a memória dos sentidos.

Mata da Matinha
Queluz, janeiro de 2019









sábado, 4 de agosto de 2018

A subida às árvores

Acabei de ler "O Barão Trepador" de Italo Calvino. Tinha-o na prateleira há anos e por acaso regressou-me às mãos. Calvino relata a vida de um rapaz que se revolta contra o facto de o pai, Barão de Rondó, o obrigar a comer caracóis. Na verdade, os caracóis são apenas um motivo caricato, para o choque histórico que já se vislumbra: as revoluções liberais, o republicanismo francês, a revolução francesa e os seus ideais e por fim Napoleão. O romance fantástico decorre essencialmente na Itália do século XVIII - dominada pelos Habsburgos da Áustria. O jovem barão representa um novo sentimento: aquele que está mais perto do natural e por isso a sua revolta expressa-se em subir às árvores e passar a viver por lá sem descer nunca ao chão - prodígio da imaginação de Calvino e de uma Europa  de bosques contíguos de árvores ainda e apenas europeias. Em cima das árvores, vive romances, cultiva o espírito motivado pela onda de curiosidade trazida pelos Enciclopedistas, dá corpo e voz aos movimentos de emancipação dos povos e acaba na desilusão de Napoleão. Como é habitual a revolução não cumpre inteiramente as suas premissas, mas produz mudanças irreversíveis na política europeia mesmo sem cumprir a "liberté, equalité et la fraternité". Cosimo, assim se chama o barão romântico, acredita radicalmente nesses ideais e expressa-a de forma desabrida.

Nos momentos de transição, os homens ficam desorientados, não sabem para onde se dirigir, nem que conselhos dar aos filhos. O futuro está enublado e ninguém o consegue cingir. A decisão de Cosimo é uma decisão de ruptura, nunca entendida pelo pai, mas respeitada.
As civilizações acabam muito antes de desaparecerem. Talvez a nossa esteja a desvanecer para que outra possa enquadrar a Europa. Acredito que sim. E espero que como Cósimo possamos viver se não exclusivamente, pelo menos mais perto das árvores.

Há mais de 10 anos chamei a este diário "Árvore com voz". A voz era provavelmente de Cósimo, o Barão Trepador.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Sebastião "Ulisses" Salgado

O Sebastião Salgado representa para mim o Ulisses dos tempos modernos.  Foi combater na “Guerra de Tróia”, levando a sua câmara fotográfica como arma. Nos combates, para mostrar ao mundo outros mundos, foi obstinado e destemido: Sahel, Ruanda, Serra Pelada, Ártico, Balcãs e muitos outros locais. Cansado da alma, como ele o próprio afirma, no documentário “Sal da Terra”, regressa à sua Ítaca, ou seja à fazenda dos seus pais. Naquele momento, completamente desarborizada e sem vida. Ele e a mulher, Leila, decide replantar aquele lugar com três milhões de árvores de cem espécies diferentes, todas elas pertencentes ao biótipo da “Mata Atlântica” brasileira. É um projecto com avanços e recuos, naturais de quando falamos em organismos vivos. Hoje aquele lugar é uma floresta esplendorosa, com árvores que atingem o seu auge aos 400 anos de vida. Salgado procurou e descobriu uma metáfora forte para representar a eternidade.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A natureza é perfeita
















"Para quem lhes vê o encanto,
E lhes ouve a voz.
Para quem gosta de árvores que dão pássaros
A natureza é perfeita."

Helena Gil

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A vitória da primavera



O verde acabou agora mesmo de conquistar a angústia seca dos últimos galhos resistentes. Mais uma vez, a primavera deu a volta ao mundo e regressou vitoriosa às árvores da minha rua.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mondego

O documentário da vida selvagem realizado desde a nascente (Mondeguinho) do Rio Mondego à sua foz (Figueira da Foz) por Daniel Pinheiro tem uma excelente qualidade. Foi realizado no âmbito de um projecto final do seu mestrado em produção de documentários da vida selvagem na Universidade de Salford, onde foi aluno do famoso David Attenborough. O potencial destes documentários num pais tão diversificado e bonito é imenso. Obrigado, Daniel. Pelo trabalho e pela paciência para conseguir filmar o raro melro de água. 




terça-feira, 14 de junho de 2011

Salva a Terra 2011


Este fim de semana, houve eco-festival em Salvaterra do Extremo: O "Salva a Terra". 4 dias de folgança, dança e muita natureza. Os músicos e as bandas eram todos muito bons. Realço o blues-folk de Frankie Chavez no Palco Pôr do Sol e "Velha Gaiteira", onde dois percussionistas e um tocador de gaita de foles deram um bom concerto. O meu local favorito era a tenda do Chá Livre. Tinha sempre 3 chás (Quentes e Frios) e pagava-se o que se queria. Bebia-se o chá debaixo de uma tenda magrebina com fofas almofadas e antigas edições da revista "LER". Quando tomava banho no rio Erges, passou um velho peugeot com uma pequena caravana. Era o casal (Hipie) do Chá Livre. Acenei um sentido adeus. Eles, em cima da ponte, corresponderam. Até à próxima, pessoal. Espero que se seja o mais cedo possível. Em 2013, "Salva a Terra" volta à aldeia raiana do concelho de Idanha-à-Nova.

PS. Aproveitei um momento entre as actividades do eco-festival, para desenhar uma janela em granito.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A árvore da vida





Entre este blog e o filme de Terence Malik há mais que uma simples parecença de títulos. Apesar das óbvias diferenças de formato, há uma ideia comum: Uma ponte entre criador e a  sua criação, entre o Pai e o Filho  e entre Deus e as leis do universo.

Como na experiência documentada no filme, a relação entre o criador e a criação nem sempre resulta num final feliz e numa vivência fácil. Existem  leis, sensibilidades e culturas que impoêm limites e angustias. No final, o pai humano revela-se frágil. Enquanto, o pai divino revela-nos uma proposta de sentido para a vida. Por outro lado, os homens têm a possibilidade de perdoar. Enquanto a Deus apenas resta a obrigação de fazer cumprir a sua lei.

O filme pode ser simples, tão simples que  roça o ingénuo. Ou por outro lado pode levar-nos a perguntas e ligações complexas. Uma coisa é certa: Uma grande realização, fotografia e actores de grande valor. O argumento que parece curto, torna-se, em determinada perspectiva, na história do Universo.

Se quiser  sentir, durante curtos minutos, a sensação de nascer outra vez, não perca esta oportunidade.





The Tree of Life (titulo original)
 
 Director: Terrence Malick


Argumento: Terrence Malick

Actores:Brad Pitt, Sean Penn and Jessica Chastain

terça-feira, 4 de maio de 2010

Linguagem da terra

Ela e ele caminhavam pela avenida, naquela terça-feira.

Ela: "Hoje está frio ?"

Ele: "Eu não tenho...ou melhor, sabe-me bem este frio."

Ela: "Como é possível ?"

Ele: "Tenho tanta necessidade da natureza que todas as suas manisfestações enchem-me de prazer: Sejam elas calor, frio ou vento."

domingo, 11 de abril de 2010

Zoom

O universo. A Via Láctea. O sistema solar. O planeta Terra. A Europa. A península Ibérica. A Meseta. Uma escarpa no Tejo Internacional (entre o Tejo e o Erges ). Uma comunidade de Grifos (abutres) e num recanto uma cria de abutre.

Quando se observa esta relíquia, sentem-se todos estes espaços surgirem de forma contígua e no sentido do novel habitante terrestre. Uma epifania.


Se tiverem um fim de semana livre e gostarem de desfrutar natureza ( aproveitem a primavera), visitem Salvaterra do Extremo e façam a caminhada "A Rota dos Abutres".
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