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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Margem

É por aqui que me perco
para encontrar musas e anões dourados.

Agora, anónimo e transparente
sei afinal onde estou e sou realmente.

E sem nada pedir, tudo me é dado outra vez,
como se regressasse ao silêncio uterino.

Os pés levantam-se um pouco acima do chão,
onde já não há terra, onde não agarro ainda o céu.

Os sinos tocam chamando de longe,
o que está perto, interior.

Falta-me aqui o vinho, mais pão,
um ombro talhado para o meu ombro.

Ainda assim estou do lado de cá,
no lado de dentro.

Rente à fronteira ambiciosa das coisas
e do caos que cresceu com o fim das estações,
ando pela margem da alegria
e finjo que não tropeço.




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