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domingo, 2 de junho de 2019

À vela

Com a segunda mão, agarras o leme
da penúltima barca do rio.

Segues à bolina contra os anjos do desejo.

A montante, a memória.

A jusante, aquele mistério que se adensa
no olhar tenso dos gatos
quando  fixam o nada.

As velas enredam-se na história
e a barca pára.

No casco,
acumulam-se as chagas típicas do marasmo.

Os caranguejos trepam à gávea, mudos.

Baixas a âncora
até à profundeza estelar.

Pelas narinas secas,
arribam breves lembranças de salsugem.

Com os maxilares dormentes
de tremor, desembarcas
e, de calça arregaçada, caminhas
sobre  rochas e  limos ternos
até à praia onde por hábito terminas a viagem
antes do poema.




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