O azul ainda dorme e, ao longe, a manhã corre ao nosso encontro. Por detrás das tendas dos gregos, uma sombra vela e interpõe-se à maioridade da luz. A melodia pendular das coisas é apenas uma memória recente. Uma presença em ausência.
Podia voar, enlouquecer, se quisesse, mas prefiro descrever este ambiente, este frémito antes da batalha, sentado sobre o meu elmo, com a armadura peitoral por apertar, a espada por polir, inclinada sobre uma rocha cinzenta.
Não será covardia nem coragem, mas tão só uma vontade de não morrer nem matar. Antes ficar por aqui, a ouvir o tinir do aço, o relinchar dos ginetes, o movimento das tropas, os tambores, os gritos.
Ficar assim mesmo sem nada me incomodar mais do que esta mosca que insiste em pousar sobre o meu rosto, meio esfíngico, meio humano. Um rosto de quem, em vez de lutar, preferia conversar com um amigo sobre a transparência dos deuses e as múltiplas formas como estes se manifestam, em dias que se prometem sangrentos e históricos.
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