Há livros que guardamos para ler na reforma, como aqueles primos do Canadá que esperamos visitar também depois de jubilados.
Um deles é o "Húmus", de Raul Brandão.
Ainda assim, e estando no ativo, vou espreitando, curioso, como quem abana a caixa de um presente de Natal, tentando antecipar a alegria que será o dia em que, finalmente, o abriremos.
Embora não me pareça que Húmus seja um presente trivial, daqueles que depressa esquecemos; antes pelo contrário.
É um livro de revelação, daqueles que puxam a cortina do duche quando estamos a ensaboar-nos.
Um conjunto de textos que, passados anos e anos de ilusão, podemos finalmente ler sem medo de conhecer a verdade.
A verdade de Raul Brandão, obviamente.
“O maior drama da vida é o das coincidências. O maior drama é arredar todos os trapos da vida para poder olhar a vida cara a cara. O maior drama é ficar só com o vácuo e em frente ao espelho. É dizer: nada disto existe.(...)”
Extracto de “Húmus” de Raul Brandão
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