Optei antes por fazer-me de moribundo, um semimorto:
aquele que apenas escuta, contempla
e reflete sobre as próprias sensações.
Não posso ter ilusões, porque conheço em demasia a teimosia das desilusões.
Nem esperanças, porque o meu desejo é insaciável.
E quando a esperança morre ao alcançar o que deseja, um novo barco parte em atividades exploratórias —
por bairros, por pessoas a haver —
à procura do acaso, do destino, do cruzamento, de uma volta de mar que me vire a vida do avesso.
Tenho, porém, tamanho lastro e tão curto velame no navio, sendo quase inevitável acabar fundeado a cem metros do porto, entre o cheiro do peixe vindo da docas e as correntes domésticas que passam, cordatas,
entre o pontão e a praia.
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