Louros pousados no topo do crânio
pelas mãos macias da Musa,
ou outra coisa — uma panaceia qualquer,
um anti-inflamatório para as dúvidas,
um labirinto onde te possas perder antes de almoço,
sabendo, porém, que voltarás para lanchar.
O que procuras, afinal, quando decides perder-te?
2 comentários:
La pregunta valiente, digna, coherente .. la pregunta que no cualquiera sabe hacerse...
Me encantó, Poeta!!
Há uma ironia delicada nesse texto que encanta logo de cara: a busca elevada desmontada pelo cotidiano, a Musa dividindo espaço com o anti inflamatório e o lanche. A pergunta “o que procuras?”
Grita mais do que parece não como cobrança, mas como provocação íntima. Perder-se aqui não é desorientação trágica, é quase método, tentativa consciente de sair do eixo só para lembrar que existe retorno. O poema convida a rir de nós mesmos e, ao mesmo tempo, a reconhecer que até as fugas carregam um desejo de sentido. É inquietante e muito humano
Fernanda
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