05/12/2025

O que procuras?

O que procuras, afinal?
Louros pousados no topo do crânio
pelas mãos macias da Musa,
ou outra coisa — uma panaceia qualquer,
um anti-inflamatório para as dúvidas,
um labirinto onde te possas perder antes de almoço,
sabendo, porém, que voltarás para lanchar.

O que procuras, afinal, quando decides perder-te?

2 comentários:

carlos perrotti disse...

La pregunta valiente, digna, coherente .. la pregunta que no cualquiera sabe hacerse...
Me encantó, Poeta!!

Aleatoriamente disse...

Há uma ironia delicada nesse texto que encanta logo de cara: a busca elevada desmontada pelo cotidiano, a Musa dividindo espaço com o anti inflamatório e o lanche. A pergunta “o que procuras?”
Grita mais do que parece não como cobrança, mas como provocação íntima. Perder-se aqui não é desorientação trágica, é quase método, tentativa consciente de sair do eixo só para lembrar que existe retorno. O poema convida a rir de nós mesmos e, ao mesmo tempo, a reconhecer que até as fugas carregam um desejo de sentido. É inquietante e muito humano

Fernanda