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quarta-feira, 15 de julho de 2020

A crença

Acredito no que está depois e no que está antes.
Não acredito no presente.
Não passa de palha seca
para ser comida e defecada por grandes herbívoros.
O presente é o futuro do passado
e o passado do futuro.
E esse ponto de convergência, que sou eu agora,
é-me insustentável.

Não acredito no que se vê,
porque ninguém vê a mesma coisa.
Acredito apenas nas ideias que  ninguém viu.
Porque essas sim valem a pena perseguir.
E apenas se persegue algo em que se acredita.
Tudo o resto são sombras, efeitos ilusórios
de causas momentâneas.

Não, não acredito no que se vê.
Acredito apenas nos olhos,
como coisa que está antes e depois de ver.
O durante - esse presente que quando pensamos nele já não é -
é corruptível, efémero e indescritível.

Espaço e tempo não são sincronizáveis pelo olhar,
mas tão apenas pelo pensamento.

Não acreditam?
Olhem uma estrela que está a cinco mil anos luz.
Se calhar, já lá não está.

Como poderia eu assim acreditar?

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