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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Locke

Temos dos filmes duas perspetivas. Uma mais técnica e social, na qual enquadramos uma opinião mais genérica e que nos permite dizer aos amigos: "Vê que é bom". A outra é mais subjetiva e ligada à nossa sensibilidade e memórias. O filme "Locke" de Steven Knight liga-se a esta segunda perspetiva. Por isso não posso consciente dizer que ele é muito bom. Tem uma avaliação de 7,1 no índice do IMDB, o que justifica a classificação de um filme de qualidade. Eu achei-o muito bom por razões pessoais, mas não só. O argumento e o guião são uma lição. O filme, com uma estratégia narrativa muito clássica, explora, como a "Odisseia" de Homero, a viagem do herói. Não a do regresso a casa, mas a da partida. Mas se a qualidade do argumento tem uma dimensão clássica, o filme explora depois um novo conceito das vidas atuais, a ubiquidade. Isto é, a capacidade de estar num curto espaço de tempo, a interagir com muitos universos que, neste caso, não se conhecem entre si. E apenas o indivíduo, o protagonista, os interrelaciona . E a se fusão de espaços exclusivos dentro de um automóvel através de uma telemóvel, não bastasse para nos prender a atenção à história, no banco de detrás do automóvel habita ainda um fantasma. E assim numa história onde um problema conjugal e outro profissional se cruzam, surge ainda este outro personagem, morador apenas na psique de Ivan Locke (Tom Hardy).

Nem que seja pelo  exercício de assistir a um filme passado dentro de um automóvel, onde o único ator com representação corporal (os outros atores apenas emprestam a voz ao filme) vai dialogando ao telemóvel com as outras personagens (vozes), vale a pena ver esta fita. Uma excelente metáfora sobre o nosso quotidiano na madrugada do século XXI.



























Escrito e realizado por Steven Knigth e interpretado por Tom Hardy

1 comentário :

tintanobolso disse...

Um bom filme é em primeiro lugar um bom argumento. E nem precisa de perseguições ou de grandes cenários. Ás vezes basta uma pessoa dentro de um carro.

Os realizadores detestam que se diga isto. Querem acreditar que se pode fazer excelente cinema mesmo com um mau argumento.

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