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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ladainha dos Póstumos Natais


Há-de vir um Natal e será o primeiro em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro em que o Nada retome a cor do Infinito

David Mourão-Ferreira (in "Obra Poética: 1948-1988")

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