21/09/2026

Aleluia

Nós somos os mortos.

Já ouvi e escrevi esta sentença algumas vezes.

Terra a queimar as palmas dos pés,
o andar escangalhado
 sobre a areia escaldante das duas da tarde.

E assim somos:
 andamos em frente, 
de costas voltadas para o futuro.
Enxergamos apenas cemitérios e cemitérios 
a perder de vista.

Faças bem ou mal, 
ninguém vai morrer por ti.

Foste entregue a uma solidão 
parecida com a do astronauta 
que ficou sozinho entre Marte e a Terra,
 a levitar no vazio.

Estás cercado de infinito, 
pequeno grão, 
nanosegundo universal,
 mendigo do tempo, 
pedinte de uma esmola
 que ninguém pode dar.

E então Deus vem ter contigo.

Aleluia.

1 comentário:

carlos perrotti disse...

Atronadora luminosa voz la de tus versos, Poeta.
Abrazo admirado una vez más.