Já ouvi e escrevi esta sentença algumas vezes.
Terra a queimar as palmas dos pés,
o andar escangalhado
sobre a areia escaldante das duas da tarde.
E assim somos:
andamos em frente,
de costas voltadas para o futuro.
Enxergamos apenas cemitérios e cemitérios
a perder de vista.
Faças bem ou mal,
ninguém vai morrer por ti.
Foste entregue a uma solidão
parecida com a do astronauta
que ficou sozinho entre Marte e a Terra,
a levitar no vazio.
Estás cercado de infinito,
pequeno grão,
nanosegundo universal,
mendigo do tempo,
pedinte de uma esmola
que ninguém pode dar.
E então Deus vem ter contigo.
Aleluia.
1 comentário:
Atronadora luminosa voz la de tus versos, Poeta.
Abrazo admirado una vez más.
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