O vento esgarça o último dia de verão. Hoje a luz empalideceu à nascença. Os meteorologistas haviam já avisado, retirando assim qualquer possibilidade de espanto e de gozo das coisas inesperadas.
Amanhã regresso à escola. Por isso avento, como um romântico do século XVIII, que a minha tristeza e a natureza são uma e uma só: síntese afinada entre a pequena coisa que sou e um lamento universal que se deixou, sabe-se lá porquê, ouvir.
O vento não pára. A sua existência vai-se tornando normal, por aqui, junto à praia, à medida que o verão se evapora, como uma cafeteira esquecida ao lume ou um livro que deixámos a meio e não sabemos onde o pusemos.
Aroeira, 23 de agosto de 2026
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