Esta, aqui do bairro, medra escondida entre prédios pobres.
Poderei talvez ser o primeiro a olhar para ela como um evento literário.
Falta-me, porém, o fogo da poetisa e mais um milhão de atributos para elevar este arbusto ao lugar que ele merece.
Por isso é melhor deixá-lo por aqui, nas traseiras de um prédio de três andares, e também nestas poucas linhas tão anónimas quanto impotentes.
Bairro de Janeiro, 21 de maio de 2026
"Magnólia"
Luiza Neto Jorge
A exaltação do mínimo,
e o magnifico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor.
Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria — na metáfora —
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.
A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,
um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.
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