15/04/2026

Abril

Amarelo e verde somente.
O ruído dos motores nas costas
(falta por aqui o som das aves, parece).

Uma sirene assoma distante,
como o estrondo das marés vivas
numa pensão junto à costa.

Chegaram as nuvens
no exato lugar onde eu as glosei
num poema há dez, onze anos
(é diante delas que meço o tempo).

Os verdes e os amarelos
 misturam-se agora
à falta de luz.
Os carros, não —
imunes, imparáveis.

Chegou o melro,
pousou na cana.
Penso na liberdade
como quem hesita.

(Há quem coma a sopa
sem se interrogar.
Eu, não.)

April is the cruellest month...


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