24/01/2026

Antes da forma

Desculpem as coisas.

Não eram apenas substância antes de alguém lhes dar forma?

A culpa, se culpa houver, é do oleiro, do molde, da mão humana, desse desejo em tomar a lava, grito magmático, sulfuroso ainda, e dar-lhe uma ordem exata, um uso tão temporal como a palavra agora.

Os gatos, os peixes e mesmo os pássaros do outro lado da janela raramente dão forma a qualquer matéria.

Um ninho, talvez, ou uma leve ladeira para esconder as fezes, uma arena estranha fazem os peixes, sem utilidade aparente.

A cidade é diferente: é uma vontade, estrutura memorável mas afinal epidérmica, sobre um animal devorável / adorável. 


2 comentários:

Graça Pires disse...

"o molde da mão humana". É esse o ofício das mãos, dar forma ao que pode ser moldado.
Desejo que esteja bem.
Eu estou bem. As minhas ausências devem-se aos imensos exames médicos que tenho programados, entre os quais se inclui operação às cataratas com toda a preparação necessária.
Obrigada pela preocupação.
Uma boa semana.
Um beijo.

carlos perrotti disse...

Lo inanimado en busca de sustancia de alguna manera logra la forma... Igual con los versos que paladeas o garabateas. El hecho poético existe en busca del Poeta...
Abrazo admirado!!