16/09/2022

O regresso

Retomo o pendular cilício
desses que os monges prendem ao tronco,
e são-lhes estalo e carícia,
premeditada condição do destino.

Se vou ou venho,
não é  traduzível 
no dialeto avarento 
das carruagens de metro.

Rumor elétrico de motores, 
robotizadas vozes e apitos afins.

As pálpebras fecham e abrem-se, 
respiram
as luzes que saem de quase todas as mãos,
amostras pequenas de um extenso cardápio cardíaco.

Retomo a cidade, o suor escasso, 
a presença incolor e repetente dos utentes.

E, contudo, nada será como antes.

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