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quinta-feira, 4 de junho de 2015

A raiana e búfalo

Vem montar o búfalo que espera por ti junto do rio, raiana.
Ele vai levar-te a ver as doidas terras de Espanha
Onde comprarás um chapéu azul e um casaco estampado de junquilhos brancos.
Lento, ele atravessará os morros barrentos, mas perfumados de alecrim e rosmaninho
E sobre o seu tosco lombo, os teus pés de princesa , vestindo chinelos de seda cor de carmesim,
Roçarão as ervas do caminho refrescadas pelas brisa  que cai das asas das borboletas.

Vem ao encontro da besta que te faz poemas patetas, como todos os poemas, enfim.
Ele vai contar-te histórias e mais histórias até que a noite chegue em seu manto estampado de galáxias.

Vem, raiana, vem.
Não ouves ? Já tocam os sinos da aldeia, anunciando aos pássaros a nossa boda bestial
E pela rua do forno vem o senhor padre seguido de um bando de andorinhas que sabem cantar em latim
Mais atrás mulheres dos campos rufando os seus adufes anti-castelhanos
E no fim da procissão um cão, irmão dos ciganos, que ladra porque sim.

Vem, raiana, vem
Antes que seja tarde,
antes que o rio cresça, os junquilhos murchem, as borboletas morram, as andorinhas migrem
e o cão dos ciganos morra de esgana atrás da última oliveira da devesa.

O búfalo espera por ti,
E mesmo que não venhas, diz-lhe que sim, raiana, ele precisa de ver a esperança
No fundo dos teus olhos verde-esmeralda e sobre a tua pele branca e lisa de marfim.
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