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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Dois apontamentos sobre o desespero

I.

As bombas caiam sobre Berlim. Os aliados avançavam e tomavam a cidade. No bunker, o Estado-Maior alemão dançava ao som do swing e bebia champagne francês. Uma bomba fez tremer a sala da festa. Por momentos, houve um lapso de realidade. Depois a festa continuou.

 II.

O frágil polvo , perseguido por uma garoupa enorme, viu um buraco quase perfeito. Finalmente estava seguro. Entrou lá para dentro. Esperou algumas horas, enquanto a garoupa rondava aquele abrigo quase perfeito. O peixe, impotente,  acabou por partir. O polvo sossegou e deixou-se ficar num meio sono, com um olho ensonado e o outro amedrontado. Quando a luz vinda do céu cresceu, sentiu que o abrigo emergia. Não entendeu logo o que se passava. Resolveu ficar na segurança do buraco que afinal era apenas uma armadilha de pesca. O pescador retirou-o com um gancho e colocou-o numa caixa de madeira. Três minutos depois, virou-lhe a cabeça do avesso e o polvo, enchendo os guelras de ar, gritou o silêncio todo do mar.

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