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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Vergílo Ferreira - "Pensar"



Ser profundo sem ser lamechas. Dar a conhecer a sua voz profunda e original, criando a empatia necessária para que os outros ainda tenham tempo e diposição para a suas cogitações vitais. Eis o sortilégio do escritor Vergílio Ferreira.

Não sei porquê, mas hoje apeteceu-me "Pensar" nele.

Deixo-vos um dos muitos pensamentos deste seu livro :

"Como é que certos tipos têm belas frases à hora da morte? O «tudo está bem» de Kant, ou o «mais luz» de Goethe, ou o «amanhã o que virá» de Pessoa, ou até mesmo, à maneira de Sócrates, o «levem daqui as mulheres» de Herculano? À hora da morte devia-se era estar calado. E à medida que se lá vai chegando, era o que se devia apetecer. E daí que talvez o não se perder a fala, mesmo em lamúria, é o sinal que resta de que ainda se está vivo. Mas se a coisa é a doer, fica-se quieto e calado, à espera. A grande verdade da vida é a morte. E um morto está sossegado. Como é que certos tipos à hora da morte têm o desplante de ter frases?"


Título: "Pensar" de Vergílio Ferreira  -   374 páginas - publicado em 1992 pela Bertrand Editora

1 comentário :

Paris Toujours disse...

fez-me rir o pensamento que escolheste.
E não é que partilho mais uma vez, há lá alguma coisa melhor para nos concentrarmos na morte que o silencio.

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