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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Rabo de Peixe - a vila das crianças


Acabo de entrar no quarto do hotel, vindo da vila piscatória de Rabo de Peixe( S.Miguel – Açores). Ligo e desligo de imediato a televisão. Fecho os olhos, tentando reter as imagens que trouxe da visita. Apesar dos problemas sociais da vila, a visita foi enriquecedora. As ruas estavam repletas de crianças felizes e livres. No porto, jogavam “à-bola” num jogo de quinze contra quinze com mais trinta a assistir, enquanto outros, mais dados aos prazeres da água, banhavam-se nas translúcidas águas do cais. Nas ruas, debruçavam-se aos magotes pelas pequenas janelas quando uma zaragata entre homens colocou a vila em efervescência. Depois quando as coisas acalmaram, olhavam com curiosidade os adultos ou os estranhos como eu.

Cada casal tem muitos filhos – nove, dez ou mesmo mais. Esta maré-cheia de crianças torna a vila surreal. Positivamente, surreal. As crianças correm com a alegria estampada no rosto. Nunca tinha visto tão grande liberdade – apesar do conservadorismo latente nas relações sociais e familiares. Se a rapariga começa a namorar, o noivo obriga-a a deixar a escola, as pequenas raparigas quando se banham no porto, têm de fazê-lo de t-shirt e calções. E meios contraceptivos são duas palavras vãs.
Nunca tinha visto nada assim. Quando o meu sogro me falava das multidões de crianças correndo ruas durante a sua infância numa aldeia beirã, eu achava o facto irrepetível . Em Rabo de Peixe, viajei no tempo. Porém, ainda não decidi qual o sentido da viagem: Para o passado ou para o futuro ?

4 comentários :

Iveta disse...

Diria que o presente de Sao Miguel, nao pode ser mais que um vislumbre do passado de muitos outros locais...
Em termos de qualidade de vida, quando penso na classe média em Portugal, eu acredito que perde quem vive no futuro!

SOLITARIO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
SOLITARIO disse...

Embora muitos vejam Rabo de Peixe como um local desagradável onde vive a pobreza, e miséria vejo-me forçado a dizer que é mentira.
Vocês vêm o lado negativo, mas esquecendo-se do seu lado mais gracioso.
Ao dizerem que Rabo de Peixe "é um atraso de vida" estão completamente enganados, pois cá na Vila existe muitas pessoas que estão a lutar pela ocupação dos tempos livres dos jovens, logo a Vila torna-se muito dinâmica.
E para todos os que mal dizem da nossa Vila eis aqui o que quero transmitir.
PREFERIMOS MIL VEZES, SER CONSIDERADOS UMA VILA DO PASSADO E HAVER CONHECIMENTO, COMUNICAÇÃO E SOCIALIZAÇÃO ENTRE TODOS OS HABITANTES DA VILA DO QUE SER ESSAS VILAS MODERNAS QUE NEM O VISINHO DO LADO CONHECEM!
Embora ache que na minha opinião a Vila é uma vila do Futuro.
E quanto a nossa economia, bem isso é normal, somos uma Vila piscatória logo estamos sujeitos as condições ambientais.
Referindo os meios contraceptivos discordo plenamente, porque Rabo de Peixe não é só aquele pedacinho de habitantes que vivem junto ao mar. Eu sou filho de um pescador da Vila e sei muito bem quais os métodos contraceptivos que existe e quais os riscos de não os usar. Por sua vez a Vila está em constante evolução, e os jovens estão cada vez mais cientes dos perigos e das doenças sexualmente transmissíveis.
E sim é lindo ver as nossas crianças correrem e brincarem na rua, pois infância, só passamos por ela uma vez.
Outro ponto que aqui queria referir é o facto de as raparigas irem se banhar de t-shirt e calções. Na minha opinião isso faz parte da nossa tradição porque o cais é um local de trabalho dos pescadores, que por sua vez são os que levem o sustento para casa dai as raparigas irem decentemente se refrescar, porque em outros sítios como praias, piscinas elas andem sempre belas e formosas de biquíni.
Outra coisa é também o facto de referir que as mulheres têm famílias numerosas, isso faz parte do passado porque cada vez mais os jovens começam a apostar no seu futuro profissional o que provoca um ligeiro atraso na taxa de natalidade cá da vila e um aumento de profissionais.

Duarte Belo disse...

Passei por Rabo de Peixe, uma vez, em 2006, se não estou em erro. Vinha da Ribeira Grande e apanhei uma estrada que ia, por norte, direita ao porto de pesca. As primeiras pessoas que encontrei foram dois miúdos estendidos no meio da estrada. Estavam-se a secar de um banho de mar. Contornei os rapazes devagar, com jeito e estranheza. Não se mexeram. Continuei para fazer o meu trabalho fotográfico. Nunca tivera semelhante encontro no passado e não voltei a ter. A vila de rabo de Peixe é um dos lugares mais pobres da União Europeia. Independentemente das crianças serem felizes, a vida social do povoado tem muitos, óbvios, problemas o que a leva a constituir um caso de estudo sociológico, raro em toda a Europa.

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