13/08/2026

InRIOtornável



Nada marcas do que se passa em teu redor.

Talvez saibas que o rio não retorna aqui. E mesmo que retornasse, não o reconhecerias, nem ele a ti.

Porque o tempo e o lugar são a mesma coisa, o mesmo encontro ou desencontro.

Se, porém, a corrente fluísse da foz para a nascente,
verias, submersos e informes,
os corpos jazentes dos teus entes queridos,
regressando apócrifos.

Devias por isso guardar 
numa caixa de sapatos 
algumas fotografias antigas.

Talvez assim, 
tu e o rio se reconhecessem.

2 comentários:

Graça Pires disse...

Um rio contém águas tão fundas sob o nosso peito que adormecemos com sede...
Desejo que esteja bem.
Um abraço.

carlos perrotti disse...

Un río de tu atemporal poesía...
Abrazo admirado amigo!!