28/10/2024

Símios

 Imagino a minha expressão facial

enquanto como os flocos da manhã.

Vejo a de um orangotango: olhos pequenos e semicerrados,

como quem tenta ver qualquer coisa invisível.


Os dedos sobem depois distraídos até à boca.

Parecem dedos de outro corpo

com o desejo em tocar no buraco das palavras,

em verificar a espessura poliglota dos lábios.


Somos símios com palavras.

Mais do que isso,

ainda não podemos ser.


2 comentários:

Graça Pires disse...

Podes achar que somos símios. Neste momento, neste contexto social, parece-me mais que somos animais selvagens, ou pior ainda. animais ferozes. Desculpa deturpar os conceitos implícitos no teu poema, mas ando impressionada com o mundo.
Tudo de bom.
Uma boa semana.
Um beijo.

Luís Palma Gomes disse...

Eu moro na Amadora. Há muita "fumaça", aproveitando as palavras do Almirante Pinheiro de Azevedo. Fumaça mediática, obviamente.