Imagino a minha expressão facial
enquanto como os flocos da manhã.
Vejo a de um orangotango: olhos pequenos e semicerrados,
como quem tenta ver qualquer coisa invisível.
Os dedos sobem depois distraídos até à boca.
Parecem dedos de outro corpo
com o desejo em tocar no buraco das palavras,
em verificar a espessura poliglota dos lábios.
Somos símios com palavras.
Mais do que isso,
ainda não podemos ser.
2 comentários:
Podes achar que somos símios. Neste momento, neste contexto social, parece-me mais que somos animais selvagens, ou pior ainda. animais ferozes. Desculpa deturpar os conceitos implícitos no teu poema, mas ando impressionada com o mundo.
Tudo de bom.
Uma boa semana.
Um beijo.
Eu moro na Amadora. Há muita "fumaça", aproveitando as palavras do Almirante Pinheiro de Azevedo. Fumaça mediática, obviamente.
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