És o que esqueces.
Por isso podes empinar-te
como um cavalo dourado sobre a planície
e correr depois errante por ela fora.
Talvez esse espaço generoso
seja afinal o quintal atravancado
onde o vizinho do rés-do-chão
guarda também tudo o esqueceu.
Talvez galopes apenas o desejo de galopar
e o cavalo seja de plástico branco,
deslizando a custo sobre quatro rodas pequenas.
"Pouco importa", dizes para ti mesmo,
saturado da incapacidade que a vigília
não pára de te lembrar.
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"Diomède dévoré par ses chevaux" - George Moreau (1826-98) |
3 comentários:
Como não sou filósofo, não sei se somos o que esquecemos ou que lembramos.
Em qualquer caso, apesar da minha ignorância, penso que somos uma conjugação das duas condições.
Mas gostei do poema, é profundo e tem que ser lido à lupa.
Resumindo, é excelente.
Boa semana, caro amigo Luís.
Um abraço.
Os equívocos da vida são raízes enredadas nos artifícios da idade. Sentimo-nos da estirpe dos aventureiros ou dos fugitivos e vamos a trote num cavalo imaginário a galopar pela planície imaginária, solitários e envoltos na miragem que desejamos.
Não sei se comentei ao lado, porque o seu poema é uma imensa reflexão.
Não gosto de Freud.
Desejo que esteja bem.
Uma boa semana.
Um beijo.
Maravilhoso poema que explora complexa interação entre a memória, o desejo, a liberdade e as limitações humanas. Reflete sobre a psicologia humana e a busca por compreender a si mesmo e o mundo ao redor. Esse poema dá um ótimo ensaio de pelo menos seis folhas... Parabéns, amigo, muito profunda sua reflexão.
Um beijo
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