O fogo escondeu as cores da charneca:
o amarelo-canário, o torrado,
o lima que tinha um travo deliciosamente ácido.
Todos eles adormeceram por agora cinzentos,
espelhando na superfície a lembrança dos dias nublados.
Ainda assim, nota-se um caos intacto
por debaixo das cinzas, uma brisa breve
anunciando novo esplendor e combustão.
Aqui, cercado pela terra queimada,
apenas cambio desolação por flores,
prevendo a influência da velha diplomacia
na reflorestação do mundo.
1 comentário:
"Terra queimada" é um poema que evoca uma sensação de destruição e renovação através da metáfora da queimada e suas consequências.
O poema começa com a imagem do fogo queimando a charneca e escondendo suas cores vibrantes: "amarelo-canário," "tostado," e "lima" – as quais criam uma imagem vívida e sensória, contribuindo para a riqueza visual do poema. A descrição da lima com um "travo deliciosamente ácido" acrescenta um elemento sensorial adicional.
A imagem da charneca transformada em cinzas, refletindo a lembrança de dias nublados na superfície, cria uma sensação de melancolia e perda. A ligação entre cinzas e nuvens nubladas é a metáfora perfeita para os momentos sombrios na vida.
Na segunda estrofe, há a sugestão de um "caos intacto" sob as cinzas, com a promessa de "novo esplendor." Aqui, há um elemento esperançoso, a brisa breve, que antecipa um ciclo de crescimento após a destruição, insinuando que, mesmo diante da desolação aparente, há uma esperança de crescimento e regeneração.
A imagem final da "reflorestação do mundo" implica uma perspectiva mais ampla de renovação que vai além da paisagem física, aludindo a questões sociais ou políticas.
Muito bom, meu amigo.
Enviar um comentário