15/08/2023

Terra queimada

O fogo escondeu as cores da charneca:

o amarelo-canário, o torrado, 

o lima que tinha um travo deliciosamente ácido.

Todos eles adormeceram por agora cinzentos,

espelhando na superfície a lembrança dos dias nublados.


Ainda assim, nota-se um caos intacto

por debaixo das cinzas, uma brisa breve

anunciando novo esplendor e combustão.


Aqui, cercado pela terra queimada, 

apenas cambio desolação por flores, 

prevendo a influência da velha diplomacia

na reflorestação do mundo.


1 comentário:

solfirmino disse...

"Terra queimada" é um poema que evoca uma sensação de destruição e renovação através da metáfora da queimada e suas consequências.
O poema começa com a imagem do fogo queimando a charneca e escondendo suas cores vibrantes: "amarelo-canário," "tostado," e "lima" – as quais criam uma imagem vívida e sensória, contribuindo para a riqueza visual do poema. A descrição da lima com um "travo deliciosamente ácido" acrescenta um elemento sensorial adicional.

A imagem da charneca transformada em cinzas, refletindo a lembrança de dias nublados na superfície, cria uma sensação de melancolia e perda. A ligação entre cinzas e nuvens nubladas é a metáfora perfeita para os momentos sombrios na vida.

Na segunda estrofe, há a sugestão de um "caos intacto" sob as cinzas, com a promessa de "novo esplendor." Aqui, há um elemento esperançoso, a brisa breve, que antecipa um ciclo de crescimento após a destruição, insinuando que, mesmo diante da desolação aparente, há uma esperança de crescimento e regeneração.

A imagem final da "reflorestação do mundo" implica uma perspectiva mais ampla de renovação que vai além da paisagem física, aludindo a questões sociais ou políticas.
Muito bom, meu amigo.