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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Avezinhas

Olho com prazer as aves:

felosas geniais aprendendo o caminho da graça

no labirinto dos silvados;


piscos de peito-ruivo ensinando bel canto

às gralhas coitadas ainda tão atrasadas

na viagem da harmonia;


e as últimas andorinhas procurando atónitas

o bando que partiu  mais cedo

e as deixou sozinhas;


Surpreso com as aves, frágeis, voláteis, 

ascendendo e descendo dos céus

pergunto se não serão elas

agentes pagãs de Deus?

1 comentário :

Luís Palma Gomes disse...

Luís, o teu poema é tão claro, limpído como a água, na descrição das "Avezinhas". Consigo vê-las, e talvez essa seja uma influência de Cesário Verde, a presença da sensação visual. Além disso, a interrogação retórica final desperta-me a memória das leituras de Alberto Caeiro e do seu panteísmo. (Análise da Professora Lina Mendonça)

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