As grandes extensões naturais, a cultura cristã e, eventualmente, a herança clássica que lhes chegava através das suas ligações à Europa terão contribuído para esta maneira diferente de pensar: a natureza como caminho para compreender e, de algum modo, salvar o humano. Talvez fosse uma espécie de romantismo tardio. Ainda que, em Whitman, a natureza começa precisamente onde começa o corpo — algo que não me lembro de ter lido nos românticos da velha Europa.
(A propósito, gostava de ter mais tempo para escrever e pensar. Mas a parva da vida profissional não me dá tréguas. Damn it!)
Talvez não seja excessivo afirmar que, cem anos mais tarde, a geração Beat, com Kerouac e Ginsberg, deu continuidade a esta liberdade de espírito, a esta comunhão com a natureza e com a própria liberdade.
E, por sorte minha, nasci nos anos 60 e sempre me senti atraído por esta maneira de olhar o mundo: natural, livre, avessa às convenções. O meu pai, preocupado com o sentido prático da vida, bem tentava explicar-me que os argumentos dos hippies eram socialmente insustentáveis.
Talvez tivesse alguma razão. Mas sempre fui, e provavelmente serei, um hippie — ainda que o esconda a maior parte das vezes, para conseguir sobreviver por aqui.
Amadora, 3 de novembro de 2026
1 comentário:
Coincido tanto con vos, amigo Poeta... Esas voces son irrepetibles, insuperables...
(Ya estás en la Bolsa de Gatos)
Abrazo!!
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