Deixa a cidade descarregar o seu peso.
Canta-lhe um salmo.
Encaminha-a para um lugar alto,
para a cota máxima,
para o sítio do moinho.
Lá em cima,
mostra-lhe os caminhos possíveis:
para a serra, para as praias,
para os ninhos dos melros,
feitos e desfeitos
na periferia dos bairros de vivendas
aparentemente felizes.
Toda a confusão se dissipa
e se ordena no sítio do moinho velho,
acredita.
Assegurou-me disso,
em tempos, um pintor qualquer.
O pintor já morreu.
O moinho julgo que também.
Mas ainda lá se chega.
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