07/07/2026

Entre os dedos


Fogem-me os poemas por entre os dedos,
como gatos que se deixam afagar,
uma ou duas festas apenas. 

Tão caprichosos são
que, à menor falta de atenção,
se esquivam e rebentam  
em surdina 
sobre o rio da minha aldeia,
que os leva, de afluente em afluente,
até ao livro do mar.

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