Talvez por isso a gata durma, irremediável, na marquise.
Lá sabe ela que pouco mais temos do que o sol
e a noite, quando chega, parece vir para sempre.
O comboio finge que passa, mas não.
Volta e revolta, a toda a hora.
Dirão que é outro comboio, outros passageiros.
Mas o que passa por aqui
é sempre o mesmo comboio,
sempre as mesmas pessoas.
Conheci-as noutros tempos.
Quando as revejo, calo-me e sigo.
Temos vergonha uns dos outros,
porque não conseguimos sair daqui.
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