Quando não sei o que dizer, sou uma vaca ao sol, a ruminar pensamentos, cada vez mais memórias.
Ontem alguém — e bem — disse-me que precisava de moderar o tom da minha poesia. Torná-la subtil ao máximo, caminhando na ponta dessa escarpa onde o bom gosto se esfarela quando o estilo já foi mastigado por mil bocas. (Escrevi mil. Lá está de novo esta tentação de exagerar.)
Mas venho, na medida do possível, da escola do teatro, onde não há close-up sobre a lágrima que escorre do olho para a boca. No teatro, as personagens têm de gritar: “estou a chorar”. Não para sensibilizar, mas para enfiar um murro no estômago do espectador.
Nem sempre funciona. Mas quando funciona, estou certo de que muda o mundo — nem que seja um milímetro, durante um segundo.
Amadora, 4 de janeiro de 2026
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Ruminar também é uma forma de pensar. Imagem gerada por inteligência artificial (ChatGPT), a partir de uma descrição do autor. |

1 comentário:
Como sea, tu poesía llega, conmueve, impacta, despierta los sentidos... Teatral o no puede ser también la lectura.
Abrazo admirado!!
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