Acabamos sempre corridos ao pontapé.
É assim a vida.
E, na pior das hipóteses,
nem um pontapé nos dão.
Conduzem-nos pela mão
até ao nosso palácio de inverno,
batem à porta
e dizem,
honrosamente:
vimos entregar
o nosso presidente honorário.
O meu pai teve essa sorte,
esse engenho
de ser ele
a contar a história certa
no lugar indicado.
A minha história
também sobe às vezes,
mas quando cai,
vem escada abaixo
aos trambolhões.
Os vizinhos
vêm à porta perguntar
o que foi aquilo.
Grito-lhes que falhei,
para que aqueles
que não ouviram os tombos
fiquem também a saber.
“Outra vez, Luís?”,
respondem eles,
ensonados.
“O poema ensina a cair”,
escreveu alguém,
este verso promovido
a palavra de desordem
ou slogan paliativo.
Os meus versos, não.
São a declaração oficial da queda,
quando não,
o próprio tronco
em que tropeço.
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