18/05/2024

O melro transcendental

 Eternidade

é o nome do melro

que à minha frente salta.

Eterno,

porque para mim todos os melros

são iguais.

Logo, os que saltam à minha frente

são sempre o mesmo.

Disso não há dúvida.

Viverão e saltarão sempre

que homens como eu

passarem por esta rua emoldurada

por renques de árvores que marcham

na direção oposta ao meu destino.

E o meu destino é este:

perseguir melros que são palavras.

2 comentários:

carlos perrotti disse...

Suena tan bien en portugués como en español. Prueba de que tu poema está impecablemente construido.
Abrazo hasta bos,amigo.
(Recuerda el 7 de junio estarás en mi Gaterío)

solfirmino disse...

Amigo, que belo poema!
O poeta explica a razão pela qual o melro é eterno: a percepção de que todos os melros são iguais aos olhos dele. Esse senso de repetição cria a ilusão de eternidade, em que cada melro visto é percebido como sendo o mesmo, um único símbolo que persiste ao longo do tempo. Será assim com o homem? Beijos