Lembras-te certamente de como tudo aqui é leve,
mesmo as palavras têm um preço e um peso fixo.
À semelhança de um altivo software,
que se submete ao toque cabisbaixo do cursor,
basta também que um “Sim, Senhor Doutor”
entre pelo fio do telefone para que o céu se concilie
num apertado modelo de universo sobre a secretária do chefe,
onde aquela metafísica converge para o retrato da família vigente,
enquanto, tristemente, a impressora entoa um desses mapas
que nos entregam às mãos de um destino infecundo.
Não há outro lugar assim no mundo,
onde o sol se promete e descompromete
por detrás do relógio de ponto.
(Poema escrito no início da década 90)
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