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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Avezinhas

Olho com prazer as aves:

felosas geniais aprendendo o caminho da graça

no labirinto dos silvados;


piscos de peito-ruivo ensinando bel canto

às gralhas coitadas ainda tão atrasadas

na viagem da harmonia;


e as últimas andorinhas procurando atónitas

o bando que partiu  mais cedo

e as deixou sozinhas;


Surpreso com as aves, frágeis, voláteis, 

ascendendo e descendo dos céus

pergunto se não serão elas

agentes pagãs de Deus?

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Mistério

Ao contrário dos animais que querem para viver, os humanos vivem para querer. E de tanto querer, deparam-se com tantos novos desafios. E se encontram na razão, uma solução para o penúltimo deles. Para o último, só têm o silêncio.

domingo, 13 de setembro de 2020

O velho e o destino

Duas amigas brincam fraternas na espuma que as ondas trazem à praia quase deserta. Dali, um velho contempla-as. Revê nas miúdas o tempo que por ele passou. Ou terá sido ele que passou pelo tempo? A inversão do sujeito revela a vontade de quem passa por quem. A vontade de quem conduz o destino. E o destino é a noite que cairá entretanto, a partida das miúdas, o frio já pressentido. O destino é o nada. O velho por instantes olha-as pensativo e literário, fazendo de conta que não o sabe ainda.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Haicais do Orvalho

nada brilha mais
que o orvalho de ontem
ervas da manhã

na fina teia
um bando de aves verdes
o orvalho reflecte

o orvalho cai
de uma casca molhada
o caracol sai

o orvalho enche
a gota que cai no tanque
relógio subtil




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