É preciso regressar a elas de vez em quando,
perguntar-lhes como foi.
Caso contrário mudam de aspecto,
ou somos nós que lhes mudamos o aspecto.
E quando, então, lhes abrimos as páginas
para nos falarem da avó
ou da festa de aniversário
em que o tio se embebedou
e se fechou depois na casa de banho,
já se esqueceram de tudo.
E por mais que molhemos a madalena no chá,
não há anjo nem demónio
que nos convoque
para o almoço de domingo,
quando o pai nos falava de um amigo
que teve na tropa,
enquanto a mãe nos servia sopa de lentilhas.
1 comentário:
Gostei da ideia de haver palavras prenhes de passado. Nunca tinha pensado nisso. E é uma forma de recuperar memórias que de outra forma não será possível.
Desejo que esteja bem, meu Amigo Luís.
Um beijo.
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