20/01/2026

Um caldo morno, por favor.

Estou dormente.

Uma dormência dos ossos
à pele, ao peitoril dos lábios.
As palavras evitam sair-me do corpo
depois das oito da noite,
a hora da sopa,
onde mergulho pedacinhos de pão
e histórias antigas,
tão distantes.

Estou demasiado cansado
até para não querer nada:
não querer 
exigiria de mim
uma força que não tenho,
quanto mais ter 
os sonhos todos do mundo.

Quero apenas uma sopa, já disse,
e uma carcacinha velha
para se desfazer em caldo morno.

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