Assobia o vento na persiana. É o outono a chamar-nos, certamente.
Escrever parece ser uma luta contra a desilusão, uma tentativa para voltar a iludirmo-nos. Por momentos, resulta.
Há um vislumbre de paz, a sensação que alguém nos ouve e afaga depois a cabeleira farta da nossa infância.
O tempo passa, porém. Quando relemos meses ou anos depois o que havíamos escrito, tudo aquilo é estranho e estrangeiro.
Podemos ainda reconhecer, aqui ou além, um momento inspirado, um assomo de génio.
Porém, a sensação que prevalece tem a frieza da leitura de uma lápide fúnebre: "Aqui jaz um sentimento intenso, mas fugaz. Que repouse em paz para todo o sempre (seja lá o que isso for)".
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"Velho escrevendo" de Boris Dubrov |
1 comentário:
Não há melhor mestre que o tempo.
Se reconhece a inspiração é porque valeu a pena.
Gosto de vir te ler,Luis Palma.
Que a semana seja produtiva.
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