empurras o piano
para o centro da praça.
Por ali tocas a sete mãos
um noturno de Chopin.
Quem te vê ao longe
por dentro do elétrico que desce do Castelo,
arrasta levemente os óculos até à ponta do nariz.
E por momentos pensa ser possível estar vivo em Lisboa.
Como se aquele fulgor fotoeléctrico
raiasse naturalmente sem o Diabo
a apontar os projectores
e a música que encanta os pombos
pudesse soar, capital e autêntica,
sem o senhor António a monitorizá-la da régie.
1 comentário:
Muito bom.
Gostei imenso.
Um abraço.
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