31/05/2023

Lisboa XXI

Com a prosápia do louco,
empurras o piano
para o centro da praça.  

Por ali tocas a sete mãos
 um noturno de Chopin. 

Quem te vê ao longe
por dentro do elétrico que desce do Castelo, 
arrasta levemente os óculos até à ponta do nariz. 
E por momentos pensa ser possível estar vivo em Lisboa.

Como se aquele fulgor fotoeléctrico 
raiasse naturalmente  sem o Diabo
a apontar os projectores
e a música que encanta os pombos 
pudesse soar, capital e autêntica, 
sem o senhor António a monitorizá-la da régie.

1 comentário:

Jaime Portela disse...

Muito bom.
Gostei imenso.
Um abraço.