Uma prima que não vejo há muito — o tempo talvez seja desprezível quando se trata de empatia entre pessoas — ao ler os meus poemas, referiu-se à poesia como sendo "uma âncora e um amparo".
Quando as palavras são certeiras ficam bem presas na memória:
ÂNCORA, porque nos prende ao mais íntimo de nós, ainda que esta ligação não deva ser obsessiva, nem centrada em nós próprios apenas. Deve também prender-nos ao melhor dos outros; ao melhor do mundo; à grata missão de participarmos nele; e à sábia e delicada tarefa de o contemplar;
AMPARO, porque nada melhor que um poema para nos ouvir, compreender e aceitar-nos tal como somos. «Vinde cá, meu tão certo secretário/ dos queixumes que sempre ando fazendo,/ papel, com que a pena desafogo!», assim escreveu o príncipe dos vates, Luiz de Camões. Sabia ele melhor que ninguém que nas horas difíceis, tinha à distância de uma pena e de uma folha, a sua consolação, a sublimação dos dramas, maiores ou menores, que a vida nos garante.
1 comentário:
Âncora e amparo. Que definição de poesia fantástica, que guardarei como valiosa.
Uma boa semana com muita saúde.
Um beijo.
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